OPINIÃO

36 anos depois: A oportunidade de acabar com a Aids tal qual a conhecemos

Estamos mais perto do que nunca de eliminar o HIV - unindo comunidades, cientistas e líderes políticos para visualizar um futuro diferente.

14/06/2017 18:43 -03 | Atualizado 14/06/2017 18:43 -03
Associated Press
Crianças do coral da Andile School cantam no Dia Mundial de Luta Contra a AIDS, na Cidade do Cabo, África do Sul.

Há trinta e seis anos, no dia 5 de junho, se alguém tivesse me dito que estaríamos prestes a controlar a pandemia do HIV/AIDS sem uma vacina ou uma cura, não teria acreditado. Mas hoje podemos perceber esse potencial. E, com o crítico e essencial avanço que fizemos em pesquisas de cura do HIV e desenvolvimento de uma vacina, estamos mais perto do que nunca de eliminar o HIV — unindo comunidades, cientistas e líderes políticos para visualizar um futuro diferente.

Em 5 de junho de 1981, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos relataram os primeiros casos do que mais tarde seria conhecida como AIDS. Particularmente para aqueles que, como nós, éramos jovens médicos naquela época, nada seria o mesmo.

Nos anos que se seguiram, presenciamos a ruína e o desespero causados pela epidemia entre indivíduos, famílias e comunidades nos Estados Unidos. Vimos centenas e depois milhares de homens e mulheres — muitos deles no auge de suas vidas — morrerem de causas relacionadas à AIDS. Embora a maioria dos indivíduos soubesse que seus dias estavam contados, eles corajosamente e altruisticamente marcharam nas ruas e lutaram em nome de seus amigos para assegurar uma resposta à epidemia. Ao longo das décadas seguintes, graças à combinação de avanços científicos, liderança política e ativismo comunitário, a epidemia começou a perder força nos EUA.

Pouco depois, no começo dos anos 2000, relatórios das linhas de frente da epidemia na África Subsaariana eram terríveis. Famílias e comunidades inteiras estavam adoecendo por causa do HIV, com consequências econômicas e sociais desastrosas. Avanços em saúde global e desenvolvimento estavam sendo perdidos nas regiões mais afetadas da África: o índice de mortes entre recém-nascidos dobrou, a mortalidade infantil triplicou e a expectativa de vida diminuiu em 20 anos ou mais.

Diante de um continente que enfrentava uma crise de saúde, o governo dos EUA adotou uma postura ousada e compassiva. Há 14 anos, o Congresso americano autorizou o Plano de Emergência do Presidente dos EUA para o Alívio da AIDS (PEPFAR), apenas quatro meses depois de seu anúncio pelo presidente George W. Bush. Esse esforço sem precedentes e investimentos começaram a inverter a maré da epidemia na África.

Trabalhando ao lado de outros muitos parceiros, o PEPFAR ajudou a transformar a resposta ao HIV/AIDS. Apoiamos cerca de 11,5 milhões de pessoas com tratamento antirretroviral que salva vidas, um aumento de 50% desde 2014. Quando o PEPFAR começou, apenas 50.000 pessoas estavam sob tratamento na África Subsaariana.

Com o apoio do PEPFAR, cerca de 2 milhões de bebês, cujas mães foram contaminadas pelo HIV, nasceram livres do vírus — quase o dobro do que em 2013 — e suas mães seguem saudáveis e vivas para protegê-los e nutri-los. O PEPFAR fornece assistência a quase 6,2 milhões de órfãos, crianças vulneráveis e seus cuidadores.

Continuamos a expandir o impacto do PEPFAR com a utilização de dados para atribuir responsabilidades, encontrar modelos eficientes, elevar a transparência e aumentar parcerias, incluindo com o setor privado — esforços que tornam o PEPFAR um modelo para o desenvolvimento de programas em todos os lugares.

Originalmente concebido como um esforço compassivo para oferecer serviços que salvam vidas a homens, mulheres e crianças, o PEPFAR agora está assumindo o desafio de controlar a pandemia. No ano passado, anunciamos a primeira evidência de que a epidemia estava sendo controlada em três países altamente castigados pelo HIV. O PEPFAR agora se prepara para ajudar a controlar a epidemia em até 12 países muito atingidos nos próximos quatro anos e reduzir os custos futuros exigidos para apoiar uma resposta eficaz ao HIV/AIDS.

Trinta e seis anos depois, percorremos um longo caminho desde os dias mais obscuros da pandemia, tanto nos EUA quanto ao redor do mundo. Mas nosso trabalho está longe de ter acabado. Para homenagear a memória de milhões de vidas que perdemos para esta doença e para salvar aqueles que convivem e são afetados pelo vírus hoje, o PEPFAR está mais comprometido do que nunca em terminar o que começamos — e ajudar a acabar com a AIDS tal qual a conhecemos.

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.

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