OPINIÃO

A guitarra silenciou

21/07/2014 10:00 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

2014-07-17-johnnywinter.jpglarge

- Mr. Winter, é uma honra poder apertar a sua mão. Eu amo sua música.

O velho bluesman sorriu satisfeito (e até um pouco tímido) no camarim.

Em turnê pelo Brasil, ele iria gravar uma apresentação em um programa de tevê local. Se surpreendeu com o assédio dos fãs, e não se negou a tirar fotos e autografar capas de CDs - incluindo um álbum de um show que fez com o irmão, Edgar , na década de 70.

Só fez um pedido, discreto: que posasse numa cadeira normal, não na de rodas. Atendido. Não queria para a posteridade do admirador a marca deixada por anos de devastação pelas drogas, principalmente a heroína.

Não precisava se importar: a aparente fragilidade foi logo esquecida quando os poderosos acordes de It's All Over Now ou os slides perfeitos em Highway 61 Revisited soaram pelo estúdio.

Acho que faz uns quatro ou cinco anos, não sei a data ao certo. Só sei que aquele foi um dos momentos mágicos em minha vida de jornalista com alma de músico. Na última quinta-feira, 17 de julho, recebi a notícia da partida de Johnny Winter com pesar. Nos últimos tempos sua saúde se deteriorou ainda mais, obrigando a cancelar shows.

Enquanto escrevo essas linhas, ouço um pouco das obras-primas que ele nos deixou. São gravações preciosas, importantes do gênero e da música pop como um todo, como os discos que gravou com Muddy Waters, reabilitando a popularidade do mestre do blues.

Acho inclusive que me equivoquei ao elaborar o título deste post, dizendo que a guitarra silenciou: Step Back, o último registro de Winter, com participação de músicos como Eric Clapton, Joe Perry e Joe Bonamassa, deve ser lançado em setembro.

Acompanhe mais artigos do Brasil Post na nossa página no Facebook.


Para ver as atualizações mais rápido ainda, clique aqui.