OPINIÃO

A natureza do futuro

Futuro. Essa é a matéria de trabalho de Peter Kronstrøm, diretor do Copenhagen Institute for Future Studies.

01/03/2017 15:51 -03 | Atualizado 21/03/2017 19:58 -03
Divulgação

Futuro. Essa é a matéria de trabalho de Peter Kronstrøm, diretor do Copenhagen Institute for Future Studies. Dinamarquês residente no Brasil há seis anos, Peter falou sobre as tendências para o futuro no evento Parques do Brasil, em novembro. Kronstrøm conversou com o Semeia sobre o futuro dos parques e o que nós podemos fazer para que ele seja promissor.

Como o mundo vai se desenvolver nos próximos anos?

O mundo vai cada vez ser mais urbanizado e o Brasil segue essa tendência. É um país em que 85% da população mora em cidades com mais de 100 mil pessoas – e essa é uma porcentagem muito alta. Então, é claro que uma das questões urgentes e emergentes é como manter vivo o vínculo com a natureza para tantas pessoas futuras que vão viver em espaços urbanos.

E como manter esse vínculo com a natureza?

Bom, existem movimentos como esse atual de urban gardening e a construção de parques nos espaços urbanos. Tudo isso é muito importante, mas não pode substituir o contato com a natureza real que faz parte da nossa história como seres humanos. Uma equipe de pesquisadores de Berkeley demonstrou que as pessoas são mais felizes, mais criativas e vivem em maior equilíbrio se estão em contato com a natureza. Alguns médicos acreditam que esse contato muda a carga elétrica das células e diminui uma série de doenças, como as cardiovasculares.

E como oferecer a oportunidade de contato com a natureza às pessoas que vivem em espaços altamente urbanizados?

Tudo começa com as crianças. Quem manda no futuro da natureza são as crianças, são elas que vão definir como será a interação com o meio ambiente lá na frente. Atualmente, um grande problema do acesso à natureza é a falta de conhecimento. Falta de conhecimento sobre como ir, como se portar, que equipamento levar, como sobreviver e etc. Por isso, precisamos sensibilizar os mais jovens quanto a essas questões. Um exemplo de solução para esse problema é uma escola infantil na Dinamarca que funciona em um bosque. As crianças passam o dia inteiro brincando, com espaço para se sujar e subir em árvore, retomando um processo mais natural de desenvolvimento.

E o que podemos fazer para dar esse incentivo às nossas crianças? No papel de pais, tios...

Podemos levar as crianças para os parques naturais, para passar férias nesses espaços, tomar banho de cachoeira. Fazer com que essas experiências em contato com o meio ambiente se tornem algo natural para elas, ao invés de ir apenas para a Disney.

E esse desafio de levar as pessoas aos parques é maior no Brasil?

Esse desafio é do mundo. No entanto, ele pode ser encarado de formas muito diferentes dependendo de onde você está, se no Brasil ou na Dinamarca. Eu acho que o Brasil tem problemas de falta de infraestrutura e de acesso aos parques. Esse é um ponto de diferença, porque na Dinamarca tem infraestrutura, mas ainda é preciso despertar o interesse das pessoas. Por outro lado, fiquei em choque com uma estatística de que 84,36% dos brasileiros nunca foi a um parque natural. Por isso, o desafio é maior no Brasil. Mas eu vejo uma janela de oportunidade para desenvolver o ecoturismo e fortalecer essa imagem no exterior, já que o país tem uma natureza deslumbrante, parques e espaços incríveis

No evento Parques do Brasil, Peter falou sobre as megatendências que irão impactar o futuro da natureza. Confira a palestra completa aqui.

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