OPINIÃO

Super Magra: a verdade sobre o corpo de Scarlett Johansson

05/08/2014 19:53 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:44 -02
Divulgação

Enquanto ensaiava para um filme, cheguei a esta conclusão: agachamentos são quase impossíveis e flexões doem. Não há varinha mágica para passar no corpo e ficar perfeita em um macacão de látex. Comer alimentos saudáveis e fazer condicionamento físico tem a ver com compromisso, determinação, consistência e dedicação à autopreservação.

Embora eu nunca tenha me considerado uma rata de academia - na verdade já me exercitei em nome do coração - e embora eu aprecie um queijo grelhado, como qualquer pessoa, combino os alimentos não muito bons que adoro com uma dieta totalmente equilibrada.

Existem pessoas de todas as formas e tamanhos, e todas têm a capacidade de alcançar seu potencial máximo. Quando o filme estiver terminado, não precisarei mais lembrar das 50 maneiras de levantar uma bola de ginástica, mas prometo me exercitar pelo menos 30 minutos por dia e fazer uma dieta equilibrada de frutas, legumes e proteínas magras.

Flexões, abdominais, agachamentos, pranchas, caminhadas e corridas são exercícios que podem ser realizados sem treinadores da moda ou associação a academias. Eu percebi por meio desse processo que, por mais que minha vida esteja agitada, sinto-me melhor quando tiro algum tempo para me esforças em me manter ativa. Todos podemos ter corpos saudáveis, por mais diferentes que sejam nossos estilos de vida.

Desde que me dediquei a entrar na "forma de super-heroína", várias reportagens sobre meu peso chamaram minha atenção. Fizeram alegações de que eu seguia uma rotina de exercícios rígida regulada por colegas estrelas, dirigidas por treinadores que não conheço, comendo cereais brotados cujo nome não sei pronunciar e que afinal perdi quase 7 quilos do meu corpinho de 1,57m. Perder 7 quilos por necessidade, para ter uma vida mais saudável, é uma grande vitória. Sou uma pessoa miúda para começar, por isso a ideia de perder tanto peso é uma loucura completa. Estou frustrada com a irresponsabilidade dos tabloides que vendem ao público ideias sobre como deve ser nossa aparência e como podemos chegar lá.

Toda vez que passo por uma banca de revistas, as letras amarelas e grossas dos tabloides e revistas de celebridades gritam para mim: "Vejam quem emagreceu!", "Eles eram fabulosos e agora estão flácidos", "Eles eram flácidos e agora estão chatos". Todos somos conscientes das sagas que essas revistas criam: "Vejam quem ainda é uma sereia depois de ter gêmeos!" Ou o igualmente perverso: "Tenha um corpo incrível apenas 4 dias depois de ter seus bebês!"

Segundo a Associação Nacional de Distúrbios Alimentares (NEDA, na sigla em inglês), até 10 milhões de mulheres e 1 milhão de homens que vivem nos EUA travam uma luta de vida ou morte com a anorexia ou a bulimia. Sou uma pessoa que sempre defendeu publicamente uma imagem de corpo saudável, e é ridículo a mídia afirmar que perdi uma quantidade de peso impossível com algum tipo de "dieta de choque" ou exercícios milagrosos. Acredito que é negligente e perigoso essas publicações venderem a história de que são maneiras aceitáveis de parecer uma "estrela de cinema".

É ótimo receber dicas de como levar uma vida mais saudável, mas eu não quero um relato imaginário de "Como ela conseguiu!". Eu entro em forma e a mantenho fazendo uma dieta adequada e praticando uma quantidade saudável de exercícios. A imprensa deveria ser responsabilizada pelos falsos ideais que vende a suas leitoras sobre a imagem física -- esse é o verdadeiro peso da questão. A NEDA continua dizendo: "A mídia é um de nossos mais importantes aliados no esforço para aumentar a consciência sobre os perigos dos distúrbios alimentares... lutamos para trabalhar com a mídia para produzir artigos informativos e precisos que repercutem com o público, enquanto mantêm a esperança e evitam glamourizar ou promover imitações".

Mas como nós, leitoras, podemos distinguir o amigo do inimigo? Como devemos ver reportagens que salientam a celulite das celebridades e não tremer diante do espelho, imaginando uma grande flecha vermelha apontando para várias partes de nossos corpos? A mídia empacotou para nós uma ideia insalubre de que devemos sofrer perda, estar no meio de um colapso nervoso, sentir pressão de amigos ou colegas de trabalho, lutar no divórcio ou ter uma disputa amarga com um ex para entrarmos em uma forma aceitável para usar biquíni.

Então por que essas publicações vendem tanto? Depois de aparecer na capa da edição "Elas fizeram ou não? Um guia de cirurgia plástica para idiotas" da revista "US Weekly" e lutar por uma retratação, eu soube que a revista lucrou US$ 1,4 milhão só com esse número (dinheiro que eu acho que deveria ser doado para a Operation Smile, ou outra instituição de caridade igualmente bem administrada, que ajuda os que precisam de cirurgia reconstrutiva).

O conceito de "As estrelas são exatamente como nós" nos faz sentirmos conectados com estilos de vida que às vezes podem parecer de outro mundo. Sim, as celebridades são exatamente como nós. Elas lutam com demônios e superam obstáculos e têm hábitos incômodos e lutam com vícios. Dito isso, eu ficaria absolutamente mortificada ao descobrir que alguma garota de 15 anos em Kansas City leu um desses "artigos" e decidiu ficar sem comer durante algumas semanas para ser igual a Scarlett Johansson.

Normalmente não sou do tipo de dignificar publicações de papel higiênico com uma resposta, mas neste caso sinto que é minha responsabilidade comentar. De certa maneira, estou feliz de que um jornalista idiota (e uso o termo "jornalista" de maneira frouxa) esteja apostando em minha "desinchação" para que eu possa abordar a questão diretamente, com meu saudável coração.

Para mais informações (em inglês) sobre distúrbios alimentares e/ou opções de tratamento, visite: http://www.nationaleatingdisorders.org/.

Nota do editor: este post foi publicado originalmente em 2009.

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