OPINIÃO

5 motivos pelos quais a princesa Diana foi a 'rainha do povo' na Inglaterra

A princesa se envolveu em causas humanitárias e ajudou a quebrar tabus sobre aids e saúde mental.

31/08/2017 18:11 -03 | Atualizado 31/08/2017 18:11 -03
Eu gostaria de ser a rainha do coração das pessoas

Diana capturou a atenção mundial e da mídia, cujo fascínio doentio acabou causando sua morte.

Filha de John Spencer e Frances Roche, mãe de William e Harry; 20 anos após seu falecimento, nós revisitamos alguns dos muitos fatos que fizeram de Lady Diana Spencer a "Rainha do Povo".

1. Ela revigorou a imagem da Monarquia Britânica

"Mas eu sou um espírito livre – infelizmente para alguns"

STR New / Reuters

Quatro semanas antes de seu casamento, Lady Diana Spencer decidiu quebrar um precedente real. Na cerimônia acontecida em 29 de julho de 1981, ela prometeu "amar, confortar, honrar e proteger" seu futuro marido, mas não obedecê-lo, como prescrito pelo Livro Anglicano de Oração Comum (datado de 1662).

Sua divergência com a realeza começava neste ponto, e logo iria para o contato de Di com o povo. Através dos seus projetos de caridade, Diana destacou que a Monarquia podia sim descer do seu pedestal e entrar em contato o público.

Stringer Pakistan / Reuters

"Eu penso que a maior doença que o mundo sofre, neste dia e era, é a doença das pessoas não se sentirem amadas, e eu sei que posso dar meu amor por um minuto, meia hora, um dia, um mês, mas posso dar – eu fico muito feliz em fazer isso e quero fazê-lo."

A princesa chegou a ser patrona para cerca de 100 organizações de caridade e tornou-se conhecida por passar horas conversando com as pessoas e ouvindo suas histórias. Ela dizia encontrar-se cada vez mais envolvida com os rejeitados pela sociedade e que encontrava afinidade neles, como também apreciava a honestidade daqueles visitados por ela em leitos de hospitais.

Segundo The Princess Diana Memorial Fund (criado para reunir as doações feitas à época de sua morte), o público geral e grupos comunitários doaram cerca de 44 milhões de dólares. O fundo concedeu 727 subsídios a 471 organizações, usando por volta de 145 milhões de dólares dedicados à caridade.

Ele foi fechado em 2012 para ser integrado ao fundo de seus filhos em 2013, o The Royal Foundation of The Duke and Duchess of Cambridge and Prince Harry, assegurando que qualquer doação futura fosse encaminhada para as causas de Diana.

Bob Collier / Reuters

"Eu lutarei pelas minhas crianças em qualquer nível para que sejam felizes e tenham paz de espírito."

Não há como escrever sobre Lady Diana sem citar seus filhos. Ela era absolutamente apaixonada por eles e fez de tudo para que William e Harry tivessem uma infância mais próxima possível do normal. Ela os levava para uma escola pública (ao invés de serem educados por professores particulares dentro do Palácio), McDonald's, Disney (esperando na fila como qualquer pessoa), cinema, para andar de metrô e ônibus.

Os meninos também a acompanhavam em algumas visitas, como o Centrepoint, que providencia acomodação e apoio a jovens desabrigados de 16 a 25 anos.

2. Ela liderou uma campanha contra minas terrestres antipessoais

STR New / Reuters

Depois de uma visita à Angola em apoio à Cruz Vermelha, Diana tornou-se uma voz poderosa para o banimento das minas terrestres e sua retirada. Durante sua visita, ela assistiu aos trabalhadores da The HALO Trust (organização britânica de desminagem) retirarem algumas das cinco mil minas encontradas nos arredores de Kuito.

Visitou também o Centro Internacional de Próteses da Cruz Vermelha em Huambo, onde centenas de vítimas das minas foram acolhidas e receberam próteses.

Sua viagem foi documentada pela BBC em Heart of the Matter, que conta com a cena, um tanto icônica, de Lady Di andando por um campo recentemente desminado.

Paul Heslop, à época diretor da HALO Trust, disse que o interesse gerado por Diana poderia resultar em financiamento e recursos adequados para a causa. Ele não estava errado. Em 1997, mesmo ano da viagem da princesa, foi assinado o Tratado de Ottawa que proibia o uso, a produção, a estocagem e a transferência de minas terrestres antipessoais.

157 países assinaram o tratado. 38 não fazem parte da convenção, entre eles: Estados Unidos, Rússia, China e Vietnam. Uma década depois, Myanmar era o único país que comprovadamente continuava a usar minas terrestres, embora fosse sabido que outros não participantes do Tratado de Ottawa mantinham estoques.

O legado de Diana começa a ganhar continuação com seu filho Harry, que é agora o patrono da HALO Trust e recentemente pediu o fim dessas armas até 2025.


3. Ela ajudou a mudar a visão mundial acerca de HIV/AIDS

"Aids não discrimina cor, classe ou credo, nem mantém as fronteiras internacionais em consideração. Logo todos nós passaremos a conhecer uma pessoa com aids, seja um irmão, irmã, mãe, pai, filho ou filha. Como nós os trataremos? Com compaixão e cuidado ou medo e rejeição?"

Enquanto no final da década de 80, as pessoas acreditavam que aids podia ser passada pelo toque, em abril de 1987 Diana abria a primeira ala na Grã Bretanha dedicada ao cuidado de aids, no Hospital de Middlesex.

Uma fotografia mostrava Diana sem luvas apertando a mão de um dos pacientes do hospital. Isso, apenas, desafiou a ideia que o vírus HIV podia ser passado de pessoa a pessoa por simples contato e iluminou a afeição de Lady Di com essas pessoas.

Ela fez diversas visitas a pacientes com aids, algumas em sigilo (pedido da princesa aos hospitais, o que nem sempre dava certo e a mídia descobria suas aparições), outras mesmo no seu tempo livre. E foi muito vocal sobre o assunto.

"Sempre foi minha preocupação tocar as pessoas com Lepra, tentando mostrar com uma simples ação que eles não são odiados, nem nós os repugnamos"

Diana também usou sua imagem para tirar o estigma que Lepra podia ser passada por toque. Como patronesse da Leprosy Mission, ela visitou hospitais na Índia, Nepal e Zimbabwe, passando tempo com os pacientes, algo que poderia ser considerado uma assinatura da princesa.

4. Saúde Mental

Em novembro de 1995, Lady Di concedeu uma entrevista, escondida da realeza, a Martin Bashir, para o Panorama da BBC. Nela, Diana fala sobre seu casamento, divórcio, traição, caridade e seu dever com o seu povo, mas notavelmente sobre transtornos mentais e alimentares, tópicos que até hoje são considerados tabus, quando não são banalizados (principalmente os mentais).

Di descreve sua depressão pós-parto, a falta de acesso ao conhecimento sobre tal problema, como ela se sentia e os rótulos que recebeu como "instável" e "mentalmente desequilibrada".

Di confessa ter se mutilado e tido bulimia por alguns anos, resultado das pressões sobre seu casamento e do mantimento de uma figura pública diante da mídia. Ela descreve o ato de machucar a si mesma e razão de tal ato: "Em um momento você tem tanta dor dentro de si que você tenta se machucar do lado de fora porque precisa de ajuda, mas é a forma errada de pedir ajuda".

Tais confissões são de extrema coragem, ainda mais vindas de uma pessoa da realeza com atenção do mundo inteiro. Ela queria não só trazer à tona assuntos cruciais e 'escondidos' como estes, mas poder dar ao povo uma figura relacionável para aqueles que haviam passado (ou estavam passando) por problemas semelhantes. Mais do que isso, a transparência de Di durante a entrevista com Bashir é um ato de pura abnegação.

5. Moda

Dona de um estilo singular, que muitas vezes rompeu com a rígida etiqueta da realeza britânica, Lady Di permanece ainda nos dias atuais como um ícone fashion, sempre em voga e altamente rememorada. Ideal de beleza e de elegância feminina, além de uma benevolência apreciável, traduzia suas convicções políticas e gostos pessoais em seus looks.

Desde um estilo casual off-duty, que consistia em botas estilo country e macacões jeans, até vestidos e adornos da mais alta costura usados em ocasiões oficiais e festas da realeza, Diana conseguiu trazer à luz sua narrativa pessoal sem deixar de lado o título de princesa.

As luvas que chegavam ao cotovelo, fixadas no imaginário popular pela própria realeza como um acessório que confere luxo, eram peças corriqueiramente recusadas pela princesa. A exemplo de sua rápida visita a São Paulo, em 1991, Diana quebrou o protocolo ao negar o uso de luvas e carregar no colo um bebê internado com aids na antiga Febem.

Os ornamentados chapéuseram dispensados em visitas a hospitais de crianças. Segundo ela, não conseguia abraçar e interagir com as crianças da maneira desejada utilizando tais acessórios.

O estilo de Diana, muito focado no lado humanitário e utilitário das circunstâncias, foi evoluindo com o tempo, dando-se de acordo com o contexto vivido naquele momento. Sendo uma das personalidades mais fotografadas da mídia, Lady Di mostrava não seguir tendências. Ocorria o contrário: lançava-as.

Várias foram as ocasiões pela qual ficou conhecida por usar cores brilhantes e por escolher trajes que combinassem de alguma maneira com a bandeira do país visitado. Esse último legado pode ser observado ao ser incorporado por Michelle Obama e Kate Middleton, ambas memoráveis mulheres contemporâneas com fortes responsabilidades e fontes de exemplo para gerações futuras.

Dando voz e corpo ao seu lado filantrópico, um dos momentos mais relembrados de sua trajetória foi o icônico leilão de vestidos pela casa de leilões britânica Christie`s, em 1997, cinco anos após o divórcio do príncipe Charles.

O evento arrecadou 3,25 milhões de dólares revertidos para instituições de caridade de aids e câncer. Foram leiloadas marcantes peças utilizadas ao longo dos anos por Diana, de estilistas como Zandra Rhodes, Catherine Walker, Bruce Oldfield e Victor Edelstein.

Assim, a princesa comunicava-se através de suas roupas, servindo-se da moda para algo além de tecidos cortados e padronizados. Sua louvável autenticidade, identificada nas constantes quebras de protocolos e na humanização das ocasiões oficiais, consideradas sempre como situações frias, revelam uma forte mulher sempre vestida com o seu melhor traje: o ímpeto altruísta e compassivo.

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