OPINIÃO

Querida Berlim, você não pode morrer agora

20/12/2016 16:57 -02 | Atualizado 20/12/2016 16:57 -02
Pawel Kopczynski / Reuters
People gather to lay down flowers outside the Gedaechniskirche near the area where a truck which ploughed into a crowded Christmas market in the German capital last night in Berlin. REUTERS/Pawel Kopczynski

Berlim, você é o amor.

Berlim,

Você é o amor.

O amor e a vida.

O amor e o tremor.

O coração palpitante da nação.

Você é um lugar de fascínio.

Um lugar de sofrimento

Berlim, você perdeu tanto sangue naquela noite,

Quando um caminhão atropelou almas inocentes,

A morte desperta

O diabo gargalhando

E o terror aceso ganhou vida.

Silêncio

Um último grito vivo e

Sua vida passa ao lado em um instante

Você está deitado ali, imóvel, perto da Gedächtniskirche.

A casa de Deus esvaziada por bombas, que gritam dolorosamente no silêncio mortal:

A guerra não conhece nenhuma religião.

Ataque e contra-ataque são os algozes de um sonho de paz.

Apenas um milhão de mortos trarão a capitulação,

Nada senão separação e destruição.

Berlim, você não pode morrer agora.

Porque sem seu amor, o medo rasgaria o coração ao meio,

Um medo que não tem limites.

Talvez um muro ainda mais resistente que antes

Um muro na cabeça das pessoas, que não poderá ser demolido por nada.

O medo que aprisiona você não tem limites.

Medo de feirinhas de Natal.

Medo de qualquer pessoa que fale árabe.

Medo de andar de metrô à noite, sozinha, usando lenço na cabeça.

Medo de viver,

Medo de morrer.

Este post foi publicado originalmente no HuffPost Alemanha e foi traduzido para o português.

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