OPINIÃO

Os 50 estágios da privação de sono

06/02/2015 17:02 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02
Sarah Bregel

Quando eu estava grávida, tive a ilusão de que o meu segundo filho seria o meu "bebê tranquilo". Sinto lhe dizer que eu estava errada. Eu pensei: já sei como enrolar o bebê para que ele sinta-se seguro. Já conheço as técnicas do Bebê Mais Feliz! Sei que é bom ter um ruído branco e evitar a estimulação exagerada. Já domino tudo isso!

Sabe de nada, inocente... Quem me domina é um bebê de 8 meses que não dorme nunca. Nem enrolado como pacotinho, nem dentro da cadeirinha do carro quando bate o desespero ou mesmo no carrinho. Eu tenho um bebê que presta atenção em absolutamente tudo ao seu redor e levanta a cabecinha para ver o que está acontecendo até com o barulho de uma tábua solta no chão, ainda que ele já esteja acordado há horas. Eu tenho o bebê que luta contra o sono melhor do que qualquer pessoa que já conheci, depois cochila por 10 minutos e acorda pronto para 'agitar' o resto da noite. Eu tenho o bebê que acorda gritando no meio da noite quando a chupeta cai da boca ou o seu corpinho encosta em um ser inanimado.

Como passei por um período intenso de privação de sono com essa criança, hoje reconheço a grande importância do sono. O sono realmente tem o poder de levantar ou destruir. Deixar de dormir por meses a fio pode acabar com a sua vida e deixá-la igual àquele negócio no fundo de uma gaiola de hamster -- destroçada.

Aqui estão os 50 estágios da privação do sono, de acordo com a minha experiência:

1.Você começa a levar o seu filho para escola sem usar o sutiã, independente de seus seios ficarem totalmente desajeitados dentro da blusa.

2. Tomar banho pode tornar-se algo obsoleto ou então a única coisa que você faz durante o dia que mantém a sua sanidade. Até que todo mundo começa a gritar e você percebe que não valeu nem um pouco a pena fazê-lo.

3. Tudo que o seu marido faz lhe irrita.

4. Tudo que o seu marido não faz lhe irrita.

5. Você começa a entender como os cavalos conseguem dormir em pé.

6. Dormir enquanto está sentada na privada lhe parece uma opção totalmente plausível. Isso é, de novo, até todo mundo começar a gritar com você.

7. Você guarda metade das louças da máquina de lavar louça antes de perceber que agora os seus armários estão lotados de louças sujas e nojentas.

8. Você tem uma pilha de 18 livros sobre o sono ao lado da sua cama.

9. Você está cansada demais para ler qualquer um deles.

10. Você convence a si mesma de que as horas e horas do desenho da Angelina Bailarina que a sua filha assiste são educativos.

11. Você considera a contratação de um "personal do sono", mas desliga quando esquece para quem estava ligando.

12. Quando bate o desespero, você deixa o seu bebê gritar aproximadamente uma vez enquanto você chora e engole de uma vez meia garrafa de vinho.

13. Você se sente tão culpada por deixar o seu bebê chorar que você acaba ficando acordada a noite inteira, pensando sobre os níveis de cortisol do bebê que certamente estão altíssimos.

14. Você começa a enviar torpedos, emails e mensagens do Facebook para qualquer pessoa (inclusive pessoas totalmente estranhas) que passaram por dificuldades similares para ouvir palavras de encorajamento.

15. Você elimina "vestir-se" das suas tarefas diárias.

16. Todo dia trinta e duas pessoas lhe dizem que o bebê delas "dorme super bem".

17. Todo dia vinte e oito pessoas recomendam que você "vista o seu bebê" e te olham com incredulidade quando você lhes diz que ele não gosta de dormir amarrado em você desde que tinha 4 meses de idade.

18. Todo dia, doze pessoas sugerem que você deixe o seu bebê "chorar até acabar a manha".

19. Todo dia cinquenta pessoas lhe falam para "aproveitar cada minuto", mesmo quando você nem sabe mais exatamente o que são "minutos".

20. Você instala o aplicativo do livro As Semanas Mágicas (que mostra as fases de desenvolvimento do bebê) achando que não dormir é apenas uma das fases.

21. Você deleta o aplicativo As Semanas Mágicas quando você percebe que o bebê não dormir não faz parte das fases do desenvolvimento. Ele não dorme desde que nasceu.

22. Depois da sua quinta ligação histérica, a sua irmã que vive indecisa se quer ter filhos conclui que "Eu não tenho condições de lidar com isso".

23. Você manda um email para um "personal do sono", só para ver do que se trata.

24. Você fala para o seu marido que nada vai dar certo porque tudo isso é culpa sua pois ficou muito estressada durante a gravidez e as vezes até comia queijo brie.

25. Você desiste de colocar o peito dentro do sutiã ou de tentar fazer o bebê dormir em qualquer outro lugar que não seja em cima de você e se rende totalmente à dormida compartilhada (co-sleeping).

26. As pessoas falam que você nunca conseguirá tirar o bebê da sua cama, que ele vai amamentar até o ensino médio e que você e o seu marido irão se divorciar.

27. Você pede à sua filha para ficar quieta 18.564 vezes do dia.

28. Ele fica ressentida com isso, começa a reclamar o tempo inteiro e também começa a não dormir.

29. Todas as suas noites consistem em tentar fazer as pessoinhas da sua família dormirem, e aí você mesma fica tão agitada de tanto agito que acaba desistindo totalmente de dormir e começa os seus dias às 3 horas da manhã e às 7:30 já sente como se fosse meia-noite.

30. Você desiste NOVAMENTE da dormida compartilhada quando percebe que o bebê dorme muito mal e literalmente fica lhe sugando e mordendo a noite inteira enquanto você fica deitada acordada, colocando o seu corpo em posições cada vez mais desconfortáveis.

31. As 6 da manhã você tem a sensação de ter passado a noite dentro da máquina de lavar roupa e quer com todas as suas forças fechar os olhos, justamente quando deveria estar levantando para começar o dia.

32. A sua única fantasia é dormir.

33. As pessoas lhe falam que a dormida compartilhada realmente é a melhor coisa para o bebê e que sempre funcionou para elas.

34. Você começa a anotar telefones de vários médicos para que o seu marido possa agendar logo a vasectomia.

35. Beber café lhe dá vontade de vomitar.

36. Não beber café lhe dá vontade de vomitar.

37. Você começa a fazer orações com frequência.

38. Você ouviu o seu marido fazendo preces também.

39. Você repete para si mesma "um dia isso vai passar" 25 vezes ao dia.

40. Você pretende ir à aula de ioga mesmo se estiver cansada demais.

41. Você cancela os planos de ir à ioga pois já passou do limite da exaustão, sem falar coisa com coisa e não tem saudação ao sol que vá lhe fazer sentir bem.

42. Você fica na casa da sua mãe quando o seu marido viaja a trabalho DE NOVO, para que você possa, talvez, possivelmente evitar ligar para ele no meio da noite chorando feito uma louca ao telefone.

43. Você tenta se distrair para não pensar no fato de que ele está dormindo tranquilamente numa cama de hotel sem ninguém puxando no bico do peito dele ou gritando no ouvido dele.

44. Você considera começar a beber durante o dia, mas percebe que você não vai ser uma bêbada divertida como foi no passado, então não vale a pena.

45. Você finalmente checa o seu email e responde para o "personal do sono" e começa a sentir um faísca de esperança.

46. A noite foi razoavelmente boa com o bebê e você pensa em cancelar a consulta com o personal para economizar aquele dinheiro que na verdade vocês não tem.

47. Você passa uma noite horrível com o bebê e torra o dinheiro mesmo.

48. Você consegue que o bebê durma e continue dormindo pela primeira vez e acha que foi o melhor investimento que você já fez.

49. Você celebra com uma enorme taça de vinho tinto, mas pega no sono antes de conseguir tomar um gole.

50. Você dorme durante três horas seguidas e sente como se pudesse dominar o mundo e se pergunta como era possível que você não fosse uma pessoa muito mais produtiva quando você dormia inacreditáveis sete ou oito horas POR NOITE com frequência.

Uma versão desse post foi publicado originalmente no blog pessoal de Sarah Bregel, The Mediocre Mama (A Mamãe Medíocre). Para ler mais posts como esse, curta a sua comunidade de fãs cada vez maior no Facebook ou siga-a no Twitter @SarahBregel.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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