OPINIÃO

'Stranger Things' flerta com a mesmice, mas talento do elenco consegue redimir 2ª temporada

A série circula perigosamente pela armadilha das continuações, isto é, a de ser uma repetição de tudo que foi bem-sucedido na história original.

12/11/2017 17:59 -02 | Atualizado 12/11/2017 17:59 -02
Reprodução/Netflix
O destaque é novamente o impecável elenco.

A primeira temporada de Stranger Things, lançada pela Netflix em julho do ano passado, foi um sucesso, praticamente unânime, de crítica e público.

Apesar de ter contado com mínima promoção do serviço de streaming, a série criada pelos irmãos Duffer se beneficiou do hype e do boca a boca, caindo nas graças dos assinantes ao apostar em um carismático elenco jovem, influências de ficção científica e terror que bebem de Steven Spielberg e Stephen King, e da sensibilidade e estética oitentista dos filmes de John Hughes.

Todos esses elementos, previsivelmente, são usados e abusados na segunda temporada de Stranger Things. Por causa disso, a série circula perigosamente pela armadilha das continuações, isto é, a de ser uma repetição de tudo que foi bem-sucedido na história original (como em Se beber não case).

Porém, ao focar na evolução natural dos protagonistas e da trama, e inserir novos personagens ao enredo, a série consegue divertir e produzir momentos engraçados, tocantes e tensos.

Beneficiando-se de um notável orçamento maior, o visual para recriar o Mundo Invertido, os demo-cães e o Devorador de Mentes, um gigantesco monstro feito de sombras, está impecável. No entanto, as maquinações para resolver este novo mistério e combater a ameaça que, literalmente, paira sob a fictícia Hawkins se torna cansativa, genérica. Uma repetição do ritmo e progressos vistos na primeira temporada.

O destaque é novamente o impecável elenco. Carmem Cuba, diretora responsável pelo casting, reuniu um grupo de atores que, aparentemente, consegue fazer um pouco de tudo, até remediar arcos questionáveis para seus personagens.

Por exemplo, após aparentemente ter se sacrificado para destruir o monstro Demogorgon, Eleven (Millie Bobby Brown) permanece afastada do núcleo principal da série - com o qual produziu alguns dos melhores momentos da primeira temporada -, até o último episódio. Porém, a dinâmica paternal com o xerife Hopper (David Harbour), e o subsequente amadurecimento da personagem, tornam a escolha dos roteiristas compreensível, se não essencial.

Outro surpreendente desenvolvimento da história, mas que funciona, é o par Steve (Joe Keery) e Dustin (Gaten Matarazzo). O galã/atleta (e seu glorioso penteado) é deixado pela namorada Nancy (Natalia Dyer) e se junta ao adorável nerd ex-banguela, que também passa por seus próprios problemas relacionados ao coração. Em um dos diálogos mais divertidos da temporada, Steve dá (questionáveis) conselhos a Dustin sobre como lidar com garotas, além de fornecer dicas sobre cuidados capilares.

Como lidar com garotas, aliás, é um dos temas recorrentes de Stranger Things, e os casais que se formam - ou não se formam - servem tanto para introduzir novos personagens, como para pontuar a entrada dos jovens personagens na adolescência. Os resultados, no entanto, não são tão eficientes.

Embora a dinâmica de Lucas (Caleb McLaughlin) e Dustin com a novata Max (Sadie Sink) faça sentido para a trama e cause rusgas entre os amigos, ao fim da história fica a sensação de que a presença da jovem rebelde e, especialmente do seu irmão, o desagradável Billy Hargrove (Dacre Montgomery), foi mal-aproveitada e seus arcos resultaram em desfechos superficiais.

Como o previsível triângulo amoroso entre Nancy, Steve e Jonathan (Charlie Heaton), um dos aspectos mais desinteressantes da temporada. O ponto alto dessa linha narrativa é a cena com outro novato, o hilário Brett Gelman, que interpreta o jornalista Murray Bauman, contratado para investigar o desaparecimento de Barb e trazer justiça para a personagem, como a internet exigiu.

É preciso destacar também a atuação de Noah Schnapp. Embora não seja novato na série, o seu personagem, Will Byers, teve participação mínima na primeira temporada, tendo ficado a maior parte refém no Mundo Invertido. Já na atual história, os talentos de Schnapp são exigidos de um ponto de vista físico e emocional, em cenas que remetem a O Exorcista, quando ele começa a ter visões e, literalmente, sentir na pele as consequências de seu aprisionamento no Mundo Invertido.

Stranger Things opta por um caminho conservador ao não se distanciar muito daquilo que deu certo na primeira temporada, e a série também continua com algumas imperfeições narrativas, porém, tal como um time forte que acha um jeito de vencer a partida mesmo chutando algumas bolas na trave, os irmãos Duffer encontraram uma fórmula vencedora ao continuar apostando na fórmula nostalgia + elenco versátil.

Assista ao trailer abaixo:

*Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.

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