OPINIÃO

'Liga da Justiça' acerta o tom e a DC finalmente consegue divertir com seus personagens

A DC não teve vergonha de chamar a atenção para os aspectos mais inverossímeis de seus personagens, mesmo em momentos que se espera tensão e seriedade.

20/11/2017 14:39 -02 | Atualizado 20/11/2017 14:43 -02
Divulgação
Ao se permitir ser mais leve e bem-humorada, Liga da Justiça consegue criar um divertido filme de heróis

Atenção: Este texto contém spoilers!

O termo "suspensão de descrença", cuja invenção é creditada ao filósofo Samuel Taylor, remete à predisposição do leitor ou espectador a acreditar em uma história que contenha elementos fantásticos, implausíveis. Como aventuras em que seres super poderosos lutam contra monstros alienígenas para salvar a terra e assegurar a continuidade da espécie humana.

Um dos problemas do universo cinematográfico da DC Comics até aqui era justamente este conceito. Ele era esticado a tal ponto que a consistência das obras entregues pelo diretor Zack Snyder se tornava rala e resultava em filmes confusos, que erraram a mão ao tentar equilibrar humor, ação, entretenimento e tons mais sombrios.

Mulher-Maravilha, de Patty Jenkins, deu os primeiros passos para tentar corrigir as falhas desse universo cinematográfico. No entanto, é em Liga da Justiça que a DC parece, finalmente, ter resolvido a equação.

O filme triunfa ao se lembrar que está tirando dos quadrinhos e transpondo para a tela um milionário que se veste de morcego para combater o crime, um alienígena tão rápido e forte que consegue alterar o eixo da terra, uma deusa amazona que carrega consigo um laço da verdade, um homem-ciborgue e um adolescente inseguro cuja velocidade - comparável à do Super-Homem - consegue gerar uma energia capaz de ressuscitar um morto.

Logo, à exemplo do que a rival Marvel tem feito, especialmente na franquia Guardiões da Galáxia e no último Thor, a DC não teve vergonha de chamar a atenção para os aspectos mais inverossímeis de seus principais personagens, mesmo em momentos que se espera tensão e seriedade, como o clímax da obra.

Uma das cenas mais divertidas de Liga da Justiça, e bastante simbólica do novo direcionamento da franquia, é quando, na batalha final contra o vilão da trama, o Flash se sente orgulhoso por empurrar um carro com uma família para longe do perigo. Porém, ao olhar para o lado, o Super-Homem está fazendo a mesma coisa, mas carregando um prédio inteiro.

Ao fazer rir, criar expectativa com o destino desse ou daquele personagem e valorizar tomadas de todos os membros da liga em uma entrada dramática ou pós-triunfo, Liga da Justiça consegue divertir e recriar no espectador uma sensação de nostalgia, semelhante à de acompanhar as aventuras de seu herói preferido pelas páginas de uma história em quadrinho.

Dessa forma, até o vilão genérico - uma falha recorrente em filmes do gênero - e um ato final previsível se tornam mais digeríveis e não conseguem estragar a experiência, mantendo intacta a suspensão de descrença.

Assista ao trailer abaixo:

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