OPINIÃO

Kingsman: O Círculo Dourado consegue divertir, mas peca nos exageros

O filme conta com grande elenco, mas sofre para entrosar os novos nomes à trama

13/10/2017 15:34 -03 | Atualizado 13/10/2017 15:34 -03
20th Century Fox/Divulgação
Os atores Gary Unwin, Colin Firth e Pedro Pascal são as estrelas do novo filme da franquia.

Alerta: Contém spoilers!

Ao misturar o charme de James Bond, comédia e caóticas sequências de luta, Kingsman: Serviço secreto, primeiro filme da franquia, conseguiu fazer uma releitura subversiva e eficiente das clássicas histórias de agente secreto.

A história original, baseada no quadrinho de Mark Millar e Dave Gibbons, ganhou uma sequência. O Círculo Dourado dá continuação à jornada de Eggsy, o mais novo recruta da secreta agência britânica Kingsman.

Dessa vez, Eggsy, ajudado novamente pelo sempre prestativo Merlin (Mark Strong) e pelo agente Harry Hart (Colin Firth) - que volta à vida, após ter levado um tiro no olho no primeiro filme, graças à ajuda de um super gel. Ele tem como antagonista Poppy (Julianne Moore) e seu cartel de drogas, o tal Círculo Dourado, que busca a legalização de seu negócio, mesmo que o preço seja milhões de vidas.

20th Century Fox/Divulgação

Soou confuso? Exagerado? Pois esses são dois adjetivos apropriados para descrever o filme dirigido por Matthew Vaughn. O Círculo Dourado faz uma louvável tentativa de introduzir vida nova à franquia com as ilustres adições de Jeff Bridges, Halle Berry, Channing Tatum e Pedro Pascal, cujos personagens são agentes secretos da Statesman, agência americana prima da Kingsman.

No entanto, à exceção de Pascal, que tem um papel mais substancial na trama, o resto do estrelado elenco contribui pouco, tendo participações quase decorativas. A participação de Elton John, ainda que meio non-sense, consegue divertir mais do que os outros "reforços de luxo".

Esqueça arcos detalhados ou personagens aprofundados. À exemplo do vilão do primeiro filme, Richmond Valentine (Samuel L. Jackson), o público só é apresentado superficialmente às motivações de Poppy.

Não há tempo também para apresentar devidamente os novos personagens, já que a megalomania das sequências de ações e da mudança de localidades - o filme passeia por Londres, Kentucky, Itália, Camboja - ocupam a maior parte de seus 141 minutos de duração.

Apenas no ato final O Círculo Dourado ganha pretensos ares de crítica e contemporaneidade ao mostrar um presidente americano que defende que os fins justificam os meios e tem pouca consideração pelo valor de vidas humanas.

A obra tem seus momentos de humor e emoção, além de boas referências à cultura pop, porém, com expectativas e orçamento maiores, o frescor e a originalidade do primeiro filme parecem ter entrado na implacável linha de produção das franquias de Hollywood, sendo substituídos por um produto megalomaníaco e sem personalidade.

Assista ao trailer abaixo:

*Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.

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