OPINIÃO

'Feito na América': Tom Cruise aposta em tom bem-humorado para retratar piloto envolvido com Cartel de Medellín

Apesar de superficial, filme é eficiente ao entreter e grande parte disso se deve ao infalível carisma e charme do galã.

06/09/2017 18:03 -03 | Atualizado 06/09/2017 18:03 -03
Divulgação
Chafer (Gleeson) e Seal (Cruise): relação baseada em interesses e ganância.

Se você assistiu à série Narcos, sabe que o Cartel de Medellín construiu uma intricada rede que, durante o seu auge, arrecadou lucros próximos a US$ 100 milhões diários (!!!) e era responsável por fornecer aos Estados Unidos cerca de 90% da cocaína que circulava em seu território.

O novo filme do diretor Doug Liman (Sr. e Sra. Smith, No Limite do Amanhã, A Supremacia Bourne), conta a história de uma das peças que fez essa engrenagem funcionar de forma tão eficiente.

Em Feito na América (com estreia prevista para 14 de setembro), Tom Cruise interpreta Barry Seal, um piloto de avião. Entediado com a rotina de voos comerciais, ele leva a sua crise de meia-idade às últimas consequências e faz contrabando de cigarros cubanos para os Estados Unidos.

Sabendo das atividades extracurriculares do piloto, o misterioso agente da CIA, Chafer (Domhnall Gleeson), o aborda, propondo que Seal faça voos pela América Central e fotografe insurgências comunistas, identificando detalhes de sua localização e organização.

A partir daí, Seal recebe uma série de propostas "irrecusáveis" que o levam a contrabandear cocaína e armas para o Cartel de Medellín, transportar equipamentos em nome do governo americano para ajudar os Contras na luta contra os Sandinistas na Nicarágua, lavar dinheiro, e cooperar com a Casa Branca para suavizar uma possível pena pela colaboração com organizações criminosas.

O filme é, digamos, livremente baseado em fatos reais. E a participação de algumas figuras históricas - como Pablo Escobar e o ditador panamenho Noriega - informam o espectador sobre o contexto político do final dos anos 1970 e começo dos anos 1980, além de ajudar a ilustrar o quão longe a ganância do piloto americano o levou.

Conforme a teia de relações político/criminosas em que Seal se envolve fica mais densa e inextricável, e os problemas profissionais começam a interferir na vida familiar do piloto e apresentar a possibilidade de consequências fatais, a violência escala e Seal é forçado a refletir sobre a imoralidade de suas escolhas.

No entanto, ao invés de um tom trágico ou puxado para o drama, o roteiro de Gary Spinelli e a direção de Doug Liman optam por tom mais leve, focando em aspectos que retratam a ação - Tom Cruise revisita os seus dias de piloto de avião em empolgantes sequências nos ares - e o humor em diversos momentos.

O filme não se aprofunda nos conflitos de seus principais personagens e escolhe ficar, perigosamente, em um nível superficial de suas motivações. Apesar disso, Feito na América é eficiente ao entreter e grande parte disso se deve ao infalível carisma e charme de Tom Cruise.

O ator consegue despertar simpatia pelo protagonista ao representá-lo como uma figura com motivações familiares, não como alguém que, objetivamente, é ganancioso e corrupto. Chega a ser até trapalhão em alguns momentos.

Por falar em família, vale destaque também para a atriz Sarah Wright, que interpreta a esposa de Barry Seal e se vê na paradoxal posição de, ao mesmo tempo em que se preocupa com as consequências que as escolhas do marido podem trazer para a família, não hesita em aproveitar a vida de luxo que tais escolhas trazem consigo.

Assista ao trailer abaixo:

*Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.

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