OPINIÃO

Apesar dos clichês, 'It: A Coisa' é uma experiência encantadoramente assustadora

Elenco jovem faz um excelente trabalho de adicionar humanidade a uma obra de terror.

13/09/2017 19:10 -03 | Atualizado 13/09/2017 19:13 -03
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Bill Skarsgård interpreta Pennywise, o palhaço que come criancinhas

A casa velha e abandonada, o barulho que vem do porão, vultos e sombras que interagem com a escuridão. Os medos da infância são, em grande parte, infundados, frutos da fértil imaginação da criança.

Porém, há casos em que eles são reais. Bullying, sexo, preconceito, pais excessivamente protetores e abusadores. A linha entre o medo real e o imaginário é um dos temas abordados em It: A Coisa, releitura da obra de Stephen King, dirigido pelo argentino Andy Muschietti (de Mama).

Tais medos são representados no filme pelo palhaço Pennywise (Bill Skarsgård), uma verdadeira encarnação do mal. Há cada 27 anos, ele desperta para - literalmente - comer as criancinhas da fictícia Derry, uma tradicional e pacata cidade americana que, estranhamente, faz vista grossa para os desaparecimentos de seus jovens. Cabe então às próprias crianças resolverem o mistério das mortes e sumiço de seus amigos e familiares.

Quando o garotinho Georgie (Jackson Robert Scott) se torna mais um na estatística dos desaparecimentos infantis em Derry, Bill (Jaeden Lieberher), seu irmão mais velho, é quem assume para si a responsabilidade de desvendar o mistério. Para isso, ele conta com a ajuda de um grupo de amigos excluídos, vítimas de bullying, autointitulado "O Clube dos Otários". Possivelmente, um dos melhores aspectos do filme.

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Seja pelas tiradas do engraçadinho Ritchie (Finn Wolfhard, de Stranger Things), pela preocupação em sempre agradar a mãe do germofóbico Eddie (Jack Dylan Grazer), ou pela esperteza e curiosidade de Ben (Jeremy Ray Taylor), o elenco jovem faz um excelente trabalho de adicionar humanidade a uma obra de terror, cumprindo com maestria a missão de fazer o público se identificar com seus respectivos medos e acreditar e torcer por sua amizade.

Tais aspectos são reforçados pela personagem de Beverly (interpretada brilhantemente por Sophia Lillis), que além de adicionar afeto e emoção ao grupo - compondo um inocente triângulo amoroso com Bill e Ben -, também demonstra força ao enfrentar, em casa, um pai abusador, uma barra mais assustadora que qualquer palhaço assassino.

Sobre o palhaço, na hora dos sustos em si, o filme sofre um pouco com as convenções do estilo, usando e abusando de efeitos de CGI e dos previsíveis cortes bruscos ao fim de momentos tensos. O trabalho de Bill Skarsgård - com a risada maníaca, a voz confusamente inocente - se destaca nos diálogos, que são poucos, mas certeiros. A cena inicial, com Georgie, é um primor ao criar tensão e expectativa de que algo horrível está para acontecer - e de fato, acontece.

Se It: A Coisa não será considerado uma obra-prima do gênero, o saldo, ainda assim, é bastante positivo. Com um afiado elenco jovem, Muschietti conseguiu recriar uma atmosfera semelhante a Stranger Things e a Conta Comigo - uma das melhores adaptações de Stephen King para o cinema.

Aposta na nostalgia dos anos 1980, com poucas, mas excelentes referências (citando Molly Ringwald, a musa dos filmes adolescentes da década, e o envergonhado apreço de Ben pela boy band New Kids on the Block). O resultado é um retrato fiel da inocência e das descobertas da pré-adolescência, distorcido por macabros acontecimentos. Ou seja, bem fiel ao espírito de seu idealizador.

Assista ao trailer abaixo:

*Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.

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