OPINIÃO

Não é hora de falar mal da Copa

07/07/2014 15:03 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:36 -02
Divulgação

Os últimos dois anos foram intensos. A população acordou, a juventude mobilizou-se e o país inteiro protestou contra gastos inadequados, corrupção, falta de ética e impunidade.

Por que sediar dois eventos internacionais de enorme porte, custosos e complexos, enquanto o principal motor de evolução de uma nação, a educação, respira por aparelhos comprometendo o futuro? Por que fazer uma Copa do Mundo com 12 sedes, se 8 seriam suficientes, sabendo que a estrutura governamental é sujeita a superfaturamentos e decisões mais políticas do que sensatas?

O preço pago pelo protesto foi alto.

O Brasil abriu mão de uma imagem pacífica perante a audiência global e colocou em dúvida sua própria capacidade de organizar um evento global. Escancarou seus defeitos para quem quisesse ver e sua ligação íntima com os questionáveis padrões éticos da Fifa, nascidos e moldados aqui mesmo, com João Havelange.

Entramos, cada um de nós, 200 milhões de brasileiros, em crise. Que fase.

Como consequência, o apoio incondicional da audiência mundial ficou comprometido. As reportagens internacionais focaram não só no talento brasileiro para jogar futebol mas também nas injustiças e debilidades de nossos sistemas e governo.

Porém, nenhum sofrimento dura para sempre.

Conforme a festa caminha para seu ápice, uma brisa suave e benfazeja cobre o Brasil. A organização do evento está funcionando bem. A Fifa entrega um belo espetáculo. Transportes, hotéis, aeroportos também não comprometem. O estádios acolhem os escretes e a torcida. O futebol está sendo bem jogado e o calor do brasileiro contagia os visitantes qualquer que seja o credo e a cor.

O mundo, fascinado pela chuva de gols sintoniza seus televisores e computadores para assistir o fantástico embate entre as mais variadas escolas de futebol.

Como num filme, o enredo se refina alimentado pelo impoderável de mordidas e lesões vertebrais. A perda do grande líder Neymar une o time verde-amarelo, enquanto a Fifa, machucada pela má recepção e imagem arranhada, já dá sinais de que sonha com outros vencedores. Alemães e argentinos crescem em confiança, holandeses acreditam que chegou a hora.

Nós, brasileiros, enfim, nos damos ao direito de desfrutar da Copa que pagamos. A imensa maioria do povo se despe do sofrimento e se entrega a torcer e festejar. É gostoso. Comemoramos as vitórias, enchemos o peito e dizemos: sejam bem vindos, este é o Brasil. Temos orgulho de nossa cultura, comida, sensualidade e de nossa paixão pela seleção canarinho. Finalmente o mundo vê um país bonito, vibrante, capaz, e que, acima de tudo, não tem mais medo de expor, rir e falar de suas imperfeições. Um país que amadureceu.

Quem olha para o semblante dos espectadores nos estádios não tem dúvidas sobre a incrível energia positiva e a experiência única que cada um está vivendo na terra do Carnaval e futebol. É contagiante.

Definitivamente, não é hora de falar mal da Copa. Mas, se ganharmos, provavelmente, nunca será. E o Brasil continuará sendo o país cheio de craques dentro de campo e lotado de pernas de pau fora dele. Moldados por escolas capengas, incapazes de formar um país letrado, ético e justo.

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