OPINIÃO

7 fatos que irão restaurar sua fé na humanidade

19/02/2015 15:25 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Guerras, violência, doenças, analfabetismo... Lidamos todos os dias com as tragédias da vida humana colorindo as principais páginas de jornais ao redor do mundo. Mas a verdade é que nunca foi tão fácil ser otimista em relação à humanidade. Os motivos? Estamos cada vez menos violentos e mais tolerantes, melhores alimentados, mais ricos, mais saudáveis, mais conectados e vivendo mais. Embora ainda distantes da perfeição, caminhamos em passos largos rumo à prosperidade.

Duvida? Separei 7 motivos para restaurar sua fé na humanidade.

1. Nos últimos 25 anos, o número de pessoas muito pobres no mundo diminuiu pela metade

Sim, o mundo é um lugar muito melhor. Desde 1800, a população mundial cresceu 6 vezes, mas a expectativa média de vida mais do que dobrou e o rendimento real aumentou mais de 9 vezes (só no século vinte esse número saltou 5 vezes). Atualmente, os sul coreanos vivem, em média, 26 anos a mais e ganham 15 vezes mais por ano do que em 1955 (ganham 15 vezes mais também que os norte coreanos, mas essa é outra história). Os mexicanos vivem agora, em média, mais do que os britânicos viviam em 1955. Em Botswana a população ganha, em média, mais do que os finlandeses ganhavam em 1955 (em 1966, cada cidadão botsuano ganhava em média 70 dólares por ano; o país tinha míseros 12 quilômetros de estradas pavimentadas e 22 habitantes com diploma universitário). A proporção de vietnamitas vivendo com menos de dois dólares por dia caiu de 90% para 30% em 20 anos. Nada mal.

2. Nós estamos trabalhando menos e produzindo mais

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Mas o crescimento de renda ainda não diz tudo. A maioria dos países do mundo desenvolvido têm visto sua média de horas trabalhadas diminuir significativamente desde o surgimento da Revolução Industrial. No final do século 19, por exemplo, estima-se que cada trabalhador americano tenha trabalhado em média mais de 60 horas por semana. Hoje, a média de horas trabalhadas nos Estados Unidos é de cerca de 33 horas. Mas a terra do tio Sam não é exceção. O mundo desenvolvido vem seguindo o mesmo ritmo. A produtividade da mão-de-obra ao longo dos últimos dois séculos aumentou numa escala inimaginável, impulsionada pelos avanços tecnológicos, com um enorme efeito positivo sobre os salários reais e o padrão de vida geral dos trabalhadores - e, ao mesmo tempo, sem qualquer efeito negativo sobre a taxa de desemprego.

Em meados do século dezenove, uma viagem de carruagem entre Paris e Bordeaux, no sudoeste da França, custava o equivalente ao salário mensal de um empregado de escritório; hoje a mesma viagem custa cerca de um dia de trabalho e é 50 vez mais rápida. Em 1950 eram precisos 30 minutos de trabalho para poder pagar um cheeseburger num restaurante americano; hoje são precisos menos de três minutos. Se considerarmos o salário médio em 1910, uma chamada de três minutos entre Nova York e Los Angeles custava 90 horas de trabalho; hoje custa menos de 2 minutos de trabalho. O salto na renda e na produtividade nos últimos dois séculos permitiu que qualquer brasileiro possa ter um padrão de vida incomparavelmente maior aquele que Luis XIV tinha em 1690.

3. Você vive provavelmente no período mais pacífico da história da humanidade

Nova York bateu um recorde histórico há poucos dias: não testemunhou um único homicídio por longos 12 dias. Ser pessimista vende capa de jornal, mas a verdade, como conta o canadense Steven Pinker na obra Os Anjos Bons da Nossa Natureza, é que nunca fomos tão pacíficos. E Nova York não é uma exceção. Na maior parte do mundo, a violência despencou como uma flecha nesses últimos séculos - e não apenas os homicídios, mas a violência contra a mulher, contra crianças, contra animais, genocídios, guerras civis, etc. Entre 88 países com dados confiáveis, 67 viram um declínio de assassinatos nos últimos 15 anos - entre os mais violentos, essa taxa diminuiu em mais de 40% nesse período.

E a queda de violência permitida pela humanidade também influenciou seus governos. Zero é o número de vezes em que qualquer uma das grandes potências mundiais lutou contra outra grande potência desde 1945. De fato, até 15 de maio de 1984 as grandes potências mundiais haviam permanecido em paz entre si pelo mais longo período desde o século dois antes de Cristo. Mais de 30 anos depois, o recorde parece inabalável. Zero também é o número de países desenvolvidos que expandiram seu território conquistando outros países desde fins dos anos 1940.

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Os motivos para essa pacificação da humanidade? Como atesta Pinker, "conforme a Europa se tornou mais urbana, cosmopolita, comercial, industrializada e secular, foi ficando cada vez mais segura". E isso se espalhou pelo mundo.

Ainda assim, a relação entre pobreza e guerra no mundo moderno é evidente. Entre os países ricos do mundo desenvolvido, o risco de acontecer uma guerra civil é essencialmente zero. Para os países com um PIB per capita em torno de $1500 anuais (em dólares de 2003) a probabilidade de um novo conflito acontecer em torno de 5 anos sobe para cerca de 3%. E a partir disso o risco dispara: nos países com um PIB per capita de $750 ele é de 6%; para os com renda de $500 é de 8%; e para aqueles que sobrevivem com $250 é de 15%. A boa notícia? O mundo está enriquecendo, e não apenas nos países que já são ricos.

4. Sete das economias que mais crescem no mundo estão na África

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O estado natural da humanidade é a pobreza. A riqueza é algo que precisa ser criada, produzida - e a julgar os incontáveis séculos de estagnação econômica, podemos dizer que essa não é uma tarefa fácil. Desde a Revolução Industrial, porém, o mundo viu um salto inacreditável de riqueza. No censo da população britânica de Gregory King, em 1688, 1,2 milhões de trabalhadores viviam com míseros 4 libras (perto de 15 reais) por ano e 1,3 milhões de camponeses com apenas 2 libras (cerca de 8 reais) por ano, o que equivale a dizer que ao menos metade da população britânica vivia na mais sórdida miséria. Ainda em 1820, 75% da humanidade vivia com menos de um dólar por dia. Na Inglaterra, onde a Revolução Industrial nasceu, o rendimento médio da população, que permaneceu estagnado durante três séculos, começou a crescer por volta de 1800 e em 1850 era 50% maior que seu nível um século antes, mesmo a população tendo triplicado. Passados quase 200 anos, o número de pessoas que sobrevive com menos de um dólar por dia ao redor do mundo caiu para 17%. E continuamos avançando.

E se nas últimas décadas os ricos ficaram mais ricos, os pobres tiveram um salto ainda maior. Os pobres do mundo em desenvolvimento aumentaram o seu consumo duas vezes mais depressa do que o mundo como um todo nas duas últimas décadas do século vinte. Os chineses são 10 vezes mais ricos e vivem 28 anos a mais do que há 50 anos, quando tentavam sobreviver aos piores anos do governo Mao. Nesse mesmo período, os nigerianos são 2 vezes mais ricos e vivem 9 anos a mais. Apesar da população mundial ter dobrado nesse período (em outras palavras: houve mais crescimento populacional nos últimos 50 anos do que nos últimos dois milhões de anos), a porcentagem de pessoas que vivem na absoluta pobreza caiu mais da metade - mais do que nos últimos 500 anos.

Para Bill Gates, graças à revolução tecnológica, em 20 anos o mundo praticamente erradicará a pobreza. Alguém ainda duvida?

5. A porcentagem de crianças africanas que estão frequentando a escola quase dobrou desde 1970

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Ao longo dos últimos 50 anos, o rendimento real per capita só caiu em 6 países (Afeganistão, Congo, Haiti, Somália, Libéria, e Serra Leoa), e a expectativa média de vida desabou em 3 (Rússia, Suazilândia e Zimbábue). Nos restantes todos os índices socioeconômicos subiram a todo vapor. E o efeito na educação não poderia ser diferente. Em 1870, mais de três quartos das pessoas em todo mundo não tinham acesso a uma escola (na África e na Ásia esses números eram superiores a 90%). Hoje, a educação escolar alcança 82% da população mundial. Um salto e tanto.

Dois séculos atrás, apenas uma pequena elite tinha acesso à alfabetização - as melhores estimativas apontavam para 12% do mundo alfabetizado. Ao longo do século dezenove este número mais que dobrou, e no século vinte chegamos a patamares jamais vistos. Mais do que 4 em cada 5 pessoas ao redor do mundo agora são capazes de ler. Entre 1990 e 2010, a taxa de alfabetização mundial subiu de 76% para cerca de 84%. No Nepal, apenas 17% das mulheres sabiam ler em 1990 - em 2010, esse número havia subido para 48%. Não é nenhum exagero afirmar que a população mundial jamais teve tamanho acesso à educação quanto a atual.

6. Desde 1960, a expectativa de vida das mulheres na África Subsaariana aumentou em 16 anos

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Em 1800, não havia um mísero país em todo mundo onde a expectativa de vida fosse maior do que 40 anos (em alguns países como Índia e Coreia do Sul, essa expectativa girava em torno dos 25 anos). Os ganhos de expectativa de vida, desde então, ocorreram principalmente graças às mudanças nos padrões de mortalidade infantil - mas nem de longe esse foi o único motivo. Em 1845, uma criança de 5 anos de idade tinha uma expectativa média de 55 anos. Hoje, quase dois séculos após o nascimento da Revolução Industrial, com a mesma idade, essa expectativa é de 82 anos. Um salto inacreditável de 27 anos.

Durante os últimos 50 anos não apenas a expectativa de vida das mulheres na África Subsaariana aumentou de 41 para 57 anos, como cada ser humano do planeta aumentou em média quase 3 vezes sua renda (tendo em conta a inflação) e ingeriu mais um terço de calorias provindas dos alimentos. Nada parecido ocorreu em milhares de anos.

7. Um bebê nascido em 1960 tinha 20% de chances de morrer antes dos 5 anos. Para uma criança nascida hoje, a chance é menor do que 5%

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Em 1970, todos os homens de uma aldeia de Manipur, na Índia, disseram querer ter o maior número de filhos possível. Quando os pesquisadores retornaram ao local, 12 anos depois, menos de 20% disseram querer ter três ou mais filhos. Em 1981, as mulheres de Bangladesh, do mesmo modo, tinham uma média de 7 filhos - nos anos 1990, esse número caiu para uma média de 3. Você deve estar se perguntando por que isso aconteceu. Por uma série de fatores - graças à revolução verde, ao aumento da renda e da qualidade de vida, à introdução de anticoncepcionais, etc, etc. E não é apenas o planejamento familiar que está melhorando em todo mundo. A mortalidade infantil segue a mesma evolução. Especialmente nos países mais pobres - a mortalidade infantil é hoje mais baixa no Nepal do que era na Itália em 1951.

Desde 1990, a taxa global de mortalidade de crianças com menos de 5 anos caiu de 90 mortes por mil nascimentos para 46, em 2013. Se hoje esse risco é de 5%, a previsão é que em 2035 esse número seja de meros 1,6%. Mais crianças sobreviverão para testemunhar um mundo cada vez mais próspero.

Obrigado, humanidade.

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