OPINIÃO

Arrogância e militância política

26/09/2014 12:30 -03 | Atualizado 26/01/2017 20:51 -02
ASSOCIATED PRESS
Environmental activists form the phrase "Stop The Killings" outside the Japanese Embassy Monday, Sept. 1, 2014 at suburban Pasay city south of Manila, Philippines, to protest the annual hunting of dolphins in Taiji, Japan which starts on the first day of September. In their statement, the Filipino environmentalists are joining other activists around the globe in "exposing and opposing this cruel and inhumane activity." (AP Photo/Bullit Marquez)

Levando em conta que a palavra arrogância, etimologicamente, vem do verbo "arrogar" (do latim arrogare), e que um de seus sentidos é "atribuir a si", questionei sobre o que tem a militância e o ativismo político de arrogante.

Falar que a militância de um partido é "crente", é partir da ideia de que caminha por uma lógica "religiosa" - no sentido de que possuem verdades inquestionáveis, e que aqueles que não se identificam com elas podem ser enquadrados como heréticos e abjetos, merecendo a proscrição (falo do militante, não do eleitor comum!).

A militância crente não suporta uma coisa em especial: a tensão e a ansiedade dos espaços regidos pelo dissenso, o contraditório, a pluralidade de posições. Quer se livrar dessa condição gerada pelas diferenças. Acredita em soluções finais (argh!) e totais. É desafeita à ideia de que é ali, naquele contexto, que se abrem possibilidades de crescimento, aonde a tensão se torna terra fértil para o encontro daqueles que não estão tão certos de suas posições, mas abertos para a transformação.

Eis, assim, o que rege sua doutrina e prática: ideia de certeza, supressão da informação contrária, exercício da violência (simbólica, física, moral) contra aqueles que delas difere e discorda. Tudo isso embebido num senso de superioridade em relação aos "inferiores", que não observam o único e correto caminho de fazer as coisas, que elas têm a chave. Não seria o "temperamento de renúncia" (lembro-me de William James) um dos possibilitadores do encontro?

Como nos ensina Emil Cioran, "no momento em que nos recusamos a admitir o caráter intercambiável das ideias, o sangue corre..." (Précis de décomposition). Assim é o militante político, que se crê imbuído de uma missão particular: não há possibilidade de intercâmbio. O caminho é um só, e ele sabe qual é. Essa "condição militante" parece ser inarredável. Tal qual a arrogância que a subjaz e a impele.

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