OPINIÃO

O apocalipse, provavelmente, não será sua culpa

18/04/2016 22:36 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02

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Por mais que tenha se convencionado de que pensamos mais com a cabeça do que com o coração, é só dar uma olhada na realidade para perceber que a coisa não é bem assim. E isso não é necessariamente ruim. Sentir é tão bom quanto raciocinar. Um pouco mais de coração pode até ajudar a dar aquela chacoalhada no cotidiano. A não ser que a pessoa com o coração enorme seja seu chefe, seu pai, sua namorada, seu cliente ou alguém que precise tomar uma decisão objetiva da qual você dependa.

Não me entenda mal: nos momentos em que está tudo bem, essas pessoas são ótimas. Distribuem abraços, beijos, bônus, pizza. Mas, quando a crise se instaura, são os primeiros a contribuir para que os problemas fiquem ainda maiores. São aqueles que perdem a calma.

Faço uma ressalva: "ninguém muda ninguém". Não é minha intenção transformar pessoas passionais em racionais. O que desejo mesmo é colaborar para que ambos consigam lidar melhor com o caos que a ausência de calma proporciona. Também é importante destacar que mesmo os racionais podem cair na armadilha do descontrole. Faço uma lista de dicas a seguir para colaborar com a calma em situações da vida.

1. Saiba do que você está tratando. A ignorância é alarmista. Quanto menos alguém sabe sobre algo, mais barulho ele vai fazer. Então, informe-se: saiba o que altera os rumos da política de seu país, quem é responsável pelo projeto no qual você está envolvido, a sua responsabilidade dentro do seu relacionamento, quem toma as decisões, qual o prazo, quais as consequências se algo der errado.

2. Estude. Se você não domina o assunto do qual deve tratar, está perdido. A ironia é que, cada vez mais, os assuntos com os quais lidamos estão interrelacionados. Desta forma, saber um pouco mais sempre ajuda, ainda que você seja um especialista exclusivamente nas tarefas que desempenha no trabalho ou no trato com outros aspectos de sua vida, como educação dos seus filhos.

3. Coloque seu problema em perspectiva. Poucas coisas têm o poder de realmente acabar com o mundo. A boa notícia é que você, provavelmente, não está envolvido em nenhuma delas. Portanto, quando o próximo problema aparecer na sua frente, questione-se sobre a real necessidade de se desesperar.

4. Tenha um plano B. Uma das minhas mais representativas filosofias de vida (sobre a qual ainda falarei por aqui) versa sobre como, invariavelmente, as coisas vão dar errado. Não tem jeito. É assim que o mundo é. Resta-nos o planejamento e a adaptação. Não custa nada pensar em medidas contra-catástrofe. Acredite, será mais confortável seguir com o plano A sabendo que há um B.

5. Exercite a sua habilidade de resolver. No trabalho e na vida pessoal, nós somos postos à prova diariamente. Entretanto, nem sempre com muita intensidade. Em momentos de calmaria, é interessante manter o ritmo para não perder a prática de resolver. De tempos em tempos, eu costumo simular situações em minha mente relativas a cenários com os quais posso me deparar no futuro. Já resolvi bastante questões antecipadamente com esse procedimento.

6. Não se leve tão a sério. Há um trecho de uma música do Bob Dylan que resume bem essa dica: "little boy lost, he takes himself so seriously" (garotinho perdido, ele se leva tão a sério). Levar-se a sério demais pode ser um sinal de insegurança e despreparo. São características limitantes demais e que podem te atrapalhar. Portanto, para evitar esse tipo de postura, dê uma nova olhada nas dicas listadas aqui acima e, calma, gente.

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