OPINIÃO

Ao descer as escadas, não olhe para trás

09/03/2016 15:52 -03 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02

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Lembra daquela situação, em meio a um debate, na qual faltam palavras que só chegam horas depois, quando a discussão já acabou? É a resposta perfeita que você poderia ter dado àquele adversário, mas que só apareceu agora.

Há um nome para isso: l'esprit d'escalier ("o espírito da escada").

A expressão é creditada ao escritor francês Denis Diderot, que, após passar por essa situação frustrante, descia as escadas da casa sem conseguir tirar da cabeça a discussão de que participara.

O momento humilhante não o deixava em paz até que ele descobriu o que deveria ter dito.

Será que ele deveria voltar e responder?

Frustrado, optou por não fazê-lo.

Refletiu depois e cunhou a expressão que representa a frustração de saber verbalizar o que deveria ter sido dito apenas após o debate encerrado.

Mas por que nos sentimos assim?

Entre as diversas respostas que se pode dar, escolho o orgulho.

O receio de que pensem pouco de nós, a noção de derrota pessoal, a falta de objetivos mais significativos, o sentimento de impotência.

Tudo isso resulta em um orgulho ferido que nos faz voltar àquele momento horrível.

Não é fácil estar acima desse sentimento.

Diversas vezes já passei por isso - e, provavelmente, vou passar outras tantas vezes.

Entretanto, como exercício, ao invés de focar em situações pontuais, busco sentido no que faço e reflito para ter claras as minhas prioridades.

A partir dessa consciência, vencer um debate deixa de ser tão importante e o próprio debate se torna uma oportunidade de aprender.

Em termos físicos, descer escadas não fica mais fácil à medida que envelhecemos.

Mas isso não quer dizer que a gente deva tornar a descida ainda mais difícil.

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