OPINIÃO

Uma breve história sobre o "Não-Deboísmo"

13/10/2015 16:10 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02

Carlos Honorato se intitula "de Direita", na mesa do bar ele defende que o Estado deve ser mínimo, mas votou em Jair Bolsonaro - um defensor da intervenção militar no Brasil. Carlos acha que a polícia deve matar muito mais e que é um absurdo esses imigrantes sírios querendo "poluir" o mundo. Na próxima eleição Carlos votará em Eduardo Cunha - antes ele não o conhecia -, porque acha um absurdo que a mulher estuprada tenha possibilidade de abortar.

-- O feto é uma vida, né? A vida é um bem absoluto. Carlos até poderia brigar pela vida acima de tudo se não achasse que bandido bom era bandido morto e se não defendesse a pena de morte.

Gilson, que também se considera "de Direita" - desses que defende, na mesa do bar, a liberdade como valor fundamental. Também acha que o Estado deve ser mínimo, por isso ele não concorda muito com Bolsonaro (tão endeusado por Carlos) e também não votaria em Eduardo Cunha. Gilson defende a Liberdade Econômica e acha ridículo quando um garoto que se intitula "Liberal" marcha até Brasília e tira foto com os deputados mais conservadores do país. Gilson não concorda em quase nada com Carlos... defende o direito ao aborto, questiona a polícia por ter a ideia de que a instituição é um aparelho de manipulação do Estado. Gilson também acha que a Esquerda do Brasil defende muito o "Estado", esquecendo-se de como as ditaduras se construíram.

Os dois, mesmo não tendo muita coisa a ver, se consideram "de Direita" porque vão juntos para a rua gritar "Fora PT".

Horácio respeita Gilson, mas acha que Carlos Honorato é o cúmulo da ignorância. Já Ricardo não respeita nem Gilson nem Carlos Honorato - Horácio e Ricardo se consideram de Esquerda.

Horácio nasceu em Ipanema e por isso é chamado constantemente de "Esquerda Caviar". Ele defende questões progressistas e na verdade nem gostaria de ser taxado de "Esquerda", mas a defesa dos direitos dos homossexuais, lésbicas e trans; a defesa dos direitos das mulheres e de uma polícia menos truculenta faz com que Carlos chame Horácio de "Petista", sendo que Horácio nem votou no PT.

Carlos também diz que Horácio é defensor de bandidos, já que Horácio constantemente critica a ação da polícia, porém, Carlos se cala para conta da suíça de Eduardo Cunha.

Ricardo também nasceu em Ipanema e estudou com Horácio desde bem novo. Ricardo acha que Gilson, por se considerar de Direita, é favorável às truculências da polícia. Constantemente Ricardo chama Gilson de Fascista - sem ao menos escutar o que Gilson tem a dizer.

Ricardo também não conversa mais com Horácio - mesmo estudando desde novos Ricardo deixa de lado a amizade porque acha que Horácio não deveria conversar com Gilson - um fascista. Gilson não tenta se defender e nem ouvir o que Ricardo tem dizer.

No facebook... Carlos bloqueia Horácio porque o considera "Esquerda Caviar", Gilson bloqueia Ricardo por ser chamado de "fascista" e Ricardo Bloqueia Horácio por sua amizade com Gilson.

Na rua todos se cumprimentam e, sem assunto, a apatia se instala.

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