OPINIÃO

"A falta d'água no mundo" vista por um poeta nordestino

29/01/2015 17:51 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02
Reprodução

Esta postagem é bem curta

"Eu vou falar pra vocês

Vim contar sobre a água

Mas com muita sensatez

Trago versos dum poema

Que nos deixou num dilema

E se água acabar de vez?

De verso não entendo tanto

Mas gosto de me arriscar

Fazendo algumas rimas

Pro povo admirar

Aqui trago um bom poeta

E deixo a porta aberta

Da cultura popular"

Com meus versos tortos começo a falar de um poeta que há um tempo trouxe a problemática da água. Enquanto muitos, nesse instante, passam a se questionar sobre o consumo de água e, principalmente sobre as relações políticas envolvidas, o poeta popular João Batista Melo traz, em seu poema "A falta d'água no mundo" alguns questionamentos sobre a problemática ambiental.

O poeta nasceu em Itabaianinha, no estado de Sergipe, em 1938. Após atingir a maior idade mudou-se para diversas cidades até chegar a Niterói onde permanece até hoje. É membro da Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC) e Academia de Letras da Região Oceânica de Niterói (ALRON). Expõe e vende suas obras em uma barraca que fica em uma feira no Campo de São Bento, parque popular existente na cidade, contribuindo assim para a divulgação da literatura de cordel.

O seu poema "A falta d'água no mundo" foi um dos principais focos de discussão de meu mestrado e de uma aluna que orientei a monografia de fim de curso - Samara Andrade. Assim, utilizo esse espaço para dar voz ao povo do nordeste que, em sua arte, já debate (há tempos) o que hoje seria tão falado.

Trechos do poema:

"De novo bem realista

a ONU vem alertar

que na África e na China

a água pode faltar

e conforme este argumento

não tendo planejamento

muita gente vai dançar

Sonho um Brasil d'água limpa

e vida cheia de moral

vencendo a poluição

e qualquer um temporal

se no mundo água faltar

vamos daqui sustentar

a demanda mundial

E vamos exportar água

em garrafões ou barril

com a marca registrada

" the água made in Brazil"

pra ditadores malvados

nem tendo Euros trocados

não vendemos nem um til

Recuperar nossas águas

é nosso grande dever

e convido a juventude

para lutar e vencer

e se alguém quiser mais água

seja China ou Nicarágua

termos pra dar e vender

E não se deve estranhar

se a escassez do produto,

levar potência estrangeira

a construir aguaduto

até por baixo do mar

a fim de daqui levar

água mais pra seu reduto

Temos de ser otimistas

em qualquer situação

só queremos que alguém

nos indique a direção

faça um cordel bem bonito

ilustrado e bem escrito

e mostre a população

Pois nosso caso é dramático

Não dá pra se brincar

A FALTA D' ÁGUA NO MUNDO

é coisa de arrepiar

se não houver uma ação

até em nossa nação

a água pode faltar"

Direito à água é um direito humano, assim, debater sobre a problemática da água é um tema central se pensamos uma Educação em Ciências que vá ao encontro com os Direitos Humanos. Por que não fazemos isso utilizando a arte e valorizando nossos poetas populares?

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