OPINIÃO

Quando a política falha...

A situação do País é delicadíssima. Justo e necessário que se saia às ruas. Mas a violência alimenta e justifica a permanência do mesmo grupo no poder.

26/05/2017 00:42 -03 | Atualizado 26/05/2017 00:42 -03
Paulo Whitaker / Reuters
Protestos do dia 24 de maio foram marcados por violência e pleito pela antecipação de eleições diretas.

Quando a política falha, a violência prospera. E a violência não tem atenuantes; todos são derrotados. Se não no curto, ofuscado pelas paixões do momento, certamente no médio e no longo prazos. Na História, sobejam exemplos de que a violência começa com utopias e termina com tragédias.

Assim, todos que querem ver a boa política prosperar não podem sequer transigir com violência no quadro atual da sua cidade ou do País.

Ah, mas e quando o próprio poder em seu monopólio de Estado oprime a sociedade? Ainda assim não devemos usar a violência?, perguntam alguns. Acredito que não. A desobediência civil é mais eficaz e derrubou impérios. Mas exige e precisa que a política opere.

Mobilização de grandes massas em torno de grandes causas de forma pacífica convoca a política em seu estado da arte. A política que desnuda, subtrai e esvazia o poder ilegítimo é o que precisamos.

A situação do País é delicadíssima. Justo e necessário que se saia às ruas. A renúncia ou cassação de Michel Temer é iminente, e a população tem que se manifestar. Mas a violência alimenta e justifica a permanência do mesmo grupo no poder.

Também o bordão encantado das "Diretas Já" traz armadilhas perigosas. Passa por uma PEC que terá que ser votada por um Congresso desmoralizado, não impede que implicados na Lava Jato se candidatem, não há regulamentação existente e adequada para o pleito. Haverá um prolongamento imprevisível da crise, as campanhas correm o risco de serem fratricidas e marcadas pelos vícios de doações ilegais, o novo presidente eleito terá que conviver ainda com este Congresso etc.

Sim, precisamos de eleições diretas! Mas precisamos ainda mais de que elas sejam uma solução definitiva para a profunda comoção que estamos vivendo. Através de uma PEC nas atuais circunstâncias, creio que não ocorrerá.

Tendo a apoiar uma coalizão suprapartidária que possa indicar constitucionalmente um nome de consenso em uma transição estável para que a eleição de 2018 seja um ponto de inflexão definitiva entre o Brasil do atraso e o Brasil maduro.

Precisamos de muito equilíbrio nesta hora. As instituições podem e estão funcionando. Apoiá-las para que possamos sair desse enorme risco é indispensável e engajar-se, firmemente, em mobilizações pacíficas nas ruas para que não retrocedam é tarefa de todos.

*Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.

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