OPINIÃO

Sinal verde para curtir a Copa (#yeswecan)

27/05/2014 10:09 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:36 -02
Ricardo Garrido

A vida é um longo intervalo de 4 anos entre as Copas do Mundo. Entre grandes frustrações, catarses coletivas e toneladas de memórias, parto para a minha sétima Copa do Mundo (a de 1978 não conta, eu tinha só 3 anos) me sentindo da mesma maneira que me senti durante a primeira: como uma criança solta na fantástica fábrica de chocolates. São tantos craques, tantas camisas novas, tanta gente estranha e feliz nas arquibancadas, que só me resta lamentar não estar lá e aproveitar ao máximo a orgia futebolística de um mês de duração. E sonhar em assistir a alguma, algum dia, ao vivo.

O parágrafo acima foi originalmente publicado em junho de 2006, no meu primeiro blog, pouco antes de eu tirar um mês de férias para assistir a cada um dos jogos da Copa da Alemanha - pela TV.

Retomo-o aqui, na inauguração deste novo blog, porque finalmente o sonho vai se tornar realidade: serei parte da gente estranha e feliz nas arquibancadas, junto com uma turma de estranhos e felizes amigos que vão encarar a doce empreitada de curtir uma Copa do Mundo ao vivo.

Este blog entra no ar nesta terça (27), data em que a Seleção inicia os treinamentos na Granja Comary, e trará histórias e impressões de uma turma de fanáticos que acompanhará a Copa do Mundo de 2014 intensamente, indo a vários jogos ao vivo, viajando atrás da Seleção e preenchendo os espaços entre cada jogo com horas e horas de análises boleiro-táticas, discussões variadas, e muita "resenha". O leitor que passar por aqui terá acesso ao diário de bordo de verdadeiros estudiosos da bola e das Copas do Mundo, cada um com sua história, cada um com sua cruz. Você conhecerá os dois filhos de um pai espanhol que - corações divididos - ainda não decidiram por qual time torceriam numa eventual final entre Brasil e Espanha. Você aprenderá que um corinthiano fanático torce, acima de tudo, pelo sucesso dos egressos do Timão - Paulinho, William e Jô - no torneio. Saberá detalhes, do ponto de vista de torcedores comuns, de dentro das arenas, dos trens e das caminhadas entre cada partida. E acompanhará o eventual acerto de contas deste blogueiro com seu trauma de infância: quartas-de-final contra a Itália - uma derrota inesquecível e dolorida em 1982 e que pode ser definitivamente exorcizada no dia 4 de julho de 2014, em Fortaleza.

Ao fim do torneio, lá na terceira semana de julho, enfastiado, comprometo-me a pendurar as chuteiras, passar a régua na Copa e ir trabalhar para pagar todos os ingressos e viagens. Este diário de bordo estará encerrado. E o saldo será positivo.

Porque para mim, e para todos que amam futebol, vai ter Copa. Aliás, ela já está acontecendo. Já para quem não sabe explicar direito a lei do impedimento e não tem o hábito de ficar enunciando escalações e variações táticas, é hora de abrir parênteses na vida dura (os problemas, a política, os protestos), entrar no World Cup mode e aproveitar. Um pouco de euforia pode fazer um bem danado para estes tempos bicudos.

Este blog torce para que os brasileiros não se esqueçam do seu lado mais leve e apaixonado; que este povo celebre sua Seleção, provavelmente a instituição que mais razões deu e dá para nos orgulharmos de nossas cores; que os estrangeiros sejam bem recebidos, não pelo inatingível padrão FIFA, mas pelo nosso jeito de sempre, que já é bom o suficiente; que Felipão faça seu punhado de bons jogadores atuar como um time - e um bom time; que todos os astros (Messi, Cristiano Ronaldo, Robben e tantos outros) arrebentem na Copa, mas que nenhum brilhe tanto quanto Neymar; e que, só por garantia, Pedro Bial se mantenha distante da Bruna Marquezine - porque já vimos em 1998 que um homem ameaçado, ainda que fenomenal, é apenas um homem ameaçado. Vai ter Copa. Mesmo.

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