OPINIÃO

Boicote aos taxis: nossa arma na guerra pela economia compartilhada

03/07/2015 12:13 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:38 -02
ANDREW CABALLERO-REYNOLDS via Getty Images
An UBER application is shown as cars drive by in Washington, DC on March 25, 2015. Uber said it was ramping up safety in response to rape allegations against a driver in India and growing concerns about background checks for operators of the popular ride-sharing service. In other cities where Uber operates, critics had complained that a lack of licensing and background checks of drivers could imperil those who use the service. AFP PHOTO/ ANDREW CABALLERO-REYNOLDS (Photo credit should read Andrew Caballero-Reynolds/AFP/Getty Images)

Defendendo interesses dos taxistas, Prefeitura e vereadores de SP prejudicam cada um de nós. Nossos políticos não estão em guerra só contra o app Uber, mas contra a própria idéia de economia compartilhada. Nossa melhor resposta é um boicote aos taxis: eu só vou de Uber ou com as bicicletas alaranjadas do BikeSampa.

O Secretário Municipal dos Transportes, Gilmar Tatto, quer fiscais usando o próprio Uber como armadilha para motoristas que compartilham seus carros, como revelou a Folha. Projeto de lei do vereador Adilson Amadeu (PTB), em tramitação na Câmara Municipal, quer banir o Uber e similares. O próximo alvo será o app de hospedagem Airbnb?

Privilégios corporativistas dos séculos 19 e 20 declaram guerra à economia do século 21. As primeiras batalhas podem render votos a esses políticos. Mas no final a luta está perdida, como a das grandes gravadoras contra a música digital. Só quem entra no fluxo da rede sobrevive neste momento de mudança. Atenção taxistas: o Uber gosta de uma briga e sempre vence no final...

As escaramuças da mídia tradicional contra Google ou Facebook ilustram bem a questão. Os veículos de mídia que mais crescem no digital são aqueles que primeiro entenderam o poder da busca, e depois das mídias sociais, na atração de público para seus conteúdos.

Quem primeiro publicou conteúdo nativo no Facebook foi o The New York Times. A Globo proibiu posts nas mídias sociais com estrondo há dois anos, e voltou atrás, de fininho, meses depois. Sites de jornais e revistas chegam a ter 80% de seu tráfego vindo do Facebook.

Como bem observou o jornalista Bruno Ferrari, a declaração de Gilmar Tatto parece se referir a um cartel de drogas, e não a uma plataforma de economia compartilhada que barateia o custo dos transportes e gera renda para milhões de pessoas ao redor do planeta:

"Um serviço ilegal que é flagrante, que não paga imposto, que não tem relação nenhuma com o poder público, é caso de polícia. Não pode uma organização dessa, que é internacional, afrontar o poder público. Não é uma questão só de São Paulo, é do Brasil".

Se nem a verdadeira Guerra às Drogas funcionou, o que dizer dessa ridícula luta contra a economia compartilhada?

A questão dos impostos é facilmente equacionável. O app de hospedagem Airbnb vem fechando parcerias com prefeituras ao redor do mundo para incluir taxas de serviço definidas por cada municipalidade.

Esse deveria ser o foco dos nossos representantes na Câmara Municipal. Não o banimento de uma inovação que, além de extremamente útil, pode gerar renda para TODA a população, e não apenas para os 34 mil taxistas licenciados pela Secretaria do senhor Jilmar Tatto em São Paulo.