OPINIÃO

O tabu definitivo

26/11/2014 17:52 -02 | Atualizado 07/09/2017 19:19 -03
Andy Ryan via Getty Images

Fio terra. Pula pirata. Pingering. Dedada.

Você sabe do que estamos falando, mas entendemos seu embaraço.

Mesmo entre os amigos mais liberais, nas rodas (êpa) mais avançadas, o tema ainda é um tabu. Ninguém discute abertamente. Quando o tema surge, a turma se espalha. Há trocas nervosas de sorrisos amarelos, olhares de esguelha. Pessoas levantam para ir ao banheiro e não voltam. Alguns começam a gritar para demonstrar seu compromisso com a heterossexualidade mais fundamentalista e primitiva. Coçam as pudendas desafiadoramente. Contam piadas do Costinha.

É compreensível.

Em país machista como o nosso, a simpatia pelo ato é vista por alguns retrógados como tendência homossexual. Isso, obviamente, não faz o menor sentido. Homossexuais são pessoas que têm atração pelo mesmo sexo - e não que apreciam um indicador atrevido (mas quem é que vai correr o risco publicamente, não é mesmo?).

A massagem prostática (para usar o termo técnico) é uma experiência extremamente prazerosa. Ela é usada como estimulação para tornar o orgasmo masculino mais intenso. A próstata é tida por especialistas como o ponto G do homem - com as vantagens adicionais de ninguém questionar sua existência ou reclamar da impossibilidade de localizá-la.

Alguns casais de cabeça aberta já incorporam a prática normalmente. Outros se privam por constrangimento indevido - muitas vezes mútuo. Homens não têm coragem de pedir e mulheres não tomam a iniciativa.

Não é acidental que ela seja amplamente oferecida em anúncios de acompanhantes. A terapeuta tântrica Shakiti Shivani disse que o complemento mais pedido pela distinta clientela é "um dedinho no final".

O fato de a iniciativa privada estar ocupando este espaço (pun intended) é a prova de que há um claro déficit de fio terra na vida sexual cotidiana.

O preconceito ocorre porque o acesso à próstata é feito por... bem, você sabe por onde. E exige alguma profundidade. Dedos muito curtos não alcançam a glândula prostática. E se solicitar a inserção já é embaraçoso o suficiente para os mais caretas, pedir para ir mais fundo é quase como se declarar fã da Céline Dion.

Um meio termo de estimulação, sem a (para alguns) assustadora introdução, é a massagem do períneo - a área localizada entre a bolsa escrotal e o ânus. Se você não está ligando o nome à pessoa, é a chamada "zona do agrião (expressão inventada por João Saldanha para uso em campos de futebol, que alude ao fato da planta demandar terrenos que retêm água e por isso exigir uma movimentação extremamente cautelosa em sua plantação).

Alguns dizem que esta região, quando pressionada, acaricia indiretamente a próstata. É melhor que a massagem direta? Não. Mas preserva a integridade psicológica dos homofóbicos mais paranoicos.

Embora NUNCA na história tenha ocorrido de alguém se tornar homossexual por gostar de um pula pirata ocasional, há alguns riscos no processo. Médicos alertam que a prática pode ser perigosa se o receptor apresentar prostatite aguda (inflamação da glândula causada por infecção súbita); hemorroidas (obviamente) e ainda cálculos ou câncer de próstata.

Vale lembrar que, como qualquer entrada por esta via, há que se tomar alguns cuidados. Use lubrificantes como se não houvesse amanhã. Na medida em que o local é habitat natural de bactérias, deve-se usar um preservativo no dedo ou higienizar bem o acesso.

Unhas aparadas e curtas são mais que recomendadas.

Assim como muitos homens ignoram totalmente a arte de estimular mamilos femininos, algumas moças podem falhar na abordagem da próstata.

Em ambos os casos, recomenda-se cautela, calma e carinho. O toque deve ser lento até solicitações em contrário. É melhor pecar por ir devagar do que acelerar e bater o carro. A afinação é extremamente individual e não existe fórmula universal.

Observadas estas colocações, se entregue à prática sem medo. Ao contrário de assistir campeonatos de MMA, não há nada sequer remotamente suspeito nisso.

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