OPINIÃO

Homofobia e Estado

07/10/2014 10:59 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:04 -02
ASSOCIATED PRESS
A demonstrator holds a poster with the portrait of Russian President Vladimir Putin during a protest march against the new Russian gay law, in Berlin, Germany Saturday, Aug. 31, 2013. The new law penalizes anyone who distributes information aimed at persuading minors that "nontraditional" relationships are normal or attractive. Poster at left reads "Stop Homophobia". (AP Photo/Gero Breloer)

Políticos são tão pouco confiáveis que não devemos acreditar neles nem mesmo quando mostram seu pior lado. Por exemplo, dá para confiar na homofobia recém-descoberta de Levy Fidelix? Um candidato que baseou sua ... vá lá, "carreira", na confiança inabalável nas virtudes do aerotrem subitamente se apaixonou pela questão do "aparelho excretor"?

Será?

Ou ele simplesmente ficou fascinado com o impacto no eleitorado de figuras tristes como o deputado federal Marco Feliciano - que, além de homofóbico, soma à sua encantadora personalidade uma interpretação canhestra da Bíblia para justificar seu racismo ("africanos são descendentes de ancestral amaldiçoado por Noé").

Ou - indo ainda mais longe - teria Levy se inspirado no presidente russo, Vladimir Putin, que assinou uma lei que proíbe qualquer ato de "propaganda homossexual"? (O mesmo Putin que, paradoxalmente, adora posar para fotos sem camisa, no melhor estilo "Boy Magia"...)

Bem, como publicitário, fico até comovido com a fé que Putin deposita em nosso trabalho. Mas ele deveria saber que mal conseguimos convencer a audiência a trocar Coca por Pepsi. Imaginar que podemos mudar orientações sexuais com nosso trabalho é acreditar em nosso taco mais do que nós mesmos.

Esta eleição deveria ser em torno de uma discussão sobre como tirar o Brasil do século 19 para tentar situá-lo pelo menos em algum momento da primeira metade do século 20.

O surgimento de uma questão absolutamente privada como o casamento homossexual arrasta o país diretamente para o século 17.

Como descemos tanto a ponto de querer negar direitos aos homossexuais e transformar nossos piores preconceitos em questões de Estado? Como podemos cercear uma parcela de nossos cidadãos baseados em julgamentos "morais"? Como alguns religiosos conseguem manter candidatos à Presidência reféns de sua absurda visão de mundo?

"A vida não é nada mais que uma sombra, um pobre ator que pavoneia no palco e então não é mais ouvido. É uma estória contada por um idiota, cheia de som e fúria, que significa nada" disse Macbeth no texto de Shakespeare.

O discurso homofóbico vai por aí.

É uma história contada por idiotas, cheia de som e fúria.

Nosso voto tem o poder de fazer com que ela não signifique nada.

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