OPINIÃO

Eike Batista: o bilionário ostentação

08/12/2014 18:52 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02
divulgação

Bem antes de o funk ostentação virar moda, lá pelos idos de 2008, Eike Batista já era um bilionário ostentação - para indignação e desprezo dos endinheirados tradicionais, que rezam pela cartilha da discrição.

Para ele, era importante "deixar de ter vergonha de ser rico".

Difícil dizer o quanto havia de queda pessoal pelo estrelato e quanto havia de marketing nesta estratégia de alta visibilidade.

Eike era considerado por seus funcionários o Sr. IPO (a tal oferta pública inicial de ações, ou Initial Public Offering). Dele, dizia-se que era o homem que mais tinha faturado com Power Point depois de Bill Gates.

Ele vendia, basicamente, a si mesmo.

Os acionistas compravam mais seu faro, sua sensibilidade, que seus negócios propriamente ditos, com pouco lastro na economia real.

Eike era um bilionário da era da superexposição nas mídias sociais - mais especificamente do Twitter, que ele adorava e em que se mostrava despudoradamente, com seu precário domínio da língua portuguesa, defendendo seus negócios diante do ataque de anônimos, anunciando descobertas e iniciativas que feriam os códigos da bolsa e contando piadas sem graça que certamente faziam gargalhar seus puxa sacos nas viagens e excursões por casas de saliência que ele patrocinava.

Criou uma tal de távola do sol eterno - sem acento, naturalmente - onde se cercava de cavaleiros de uma ordem em que ele reinava soberano, ensinando máximas como "Não vou vestido de bu#$%@ em festa de ca$#@*&"

O excelente livro de Malu Gaspar, Tudo ou nada, mostra uma personagem fascinante em sua cafonice, em sua confiança em místicos e picaretas em geral, em sua adesão imediata a projetos delirantes e transfusões nas veias de remédios mágicos.

Ele é um apostador que perdeu, em parte, por sua infinita confiança em si mesmo - que os livros de autoajuda pregam ser a chave do sucesso. Poderia ter acertado e ser visto como o maior visionário de todos os tempos.

É do jogo.

E Eike só ia de "All In", a prática do pôquer de que Gaspar tirou o título de seu livro - por sinal, absolutamente imperdível.

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