OPINIÃO

Novo serviço promete aumentar visibilidade das ONGs na internet

16/07/2015 15:12 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02

Desde que o Brasil entrou no clube dos países emergentes as organizações da sociedade civil, especialmente as ONGs trabalhando em temas de desenvolvimento, direitos humanos e mobilização social, têm encontrado crescentes dificuldades para captar recursos provenientes de fontes internacionais.

Muitas fundações ou ONGs internacionais que tradicionalmente apoiavam financeiramente organizações locais estão deixando de operar no País ou diminuindo significativamente seus portfolios de projetos. Isto se dá entre outras razões porque existe o entendimento de que os recursos que seriam usados no Brasil poderiam ter maior impacto em países passando por situações financeiras mais precárias e com maiores níveis de pobreza ou urgências humanitárias.

Uma pesquisa feita pela Articulação D3 em parceria com a Fundação Getúlio Vargas mostra que no período de cinco anos entre 2005 e 2009, o Brasil recebeu US$ 1,48 bilhão da cooperação internacional para o desenvolvimento, enquanto doou US$ 1,88 bilhão. Isto exemplifica a mudança do papel internacional do país, que tem impacto direto nos recursos que tradicionalmente iam para organizações não governamentais brasileiras.

O problema de fundo para as ONGs fica sendo, então, o de buscar formas inovadoras de mobilização e captação de recursos. Precisam, inclusive, enfrentar o desafio de aumentar os níveis de doações recorrentes feitas por indivíduos, o que está longe de ser uma tradição no Brasil, com exceção das doações a entidades religiosas ou organizações caritativas mais tradicionais.

Recentemente foi lançado o OnGood, uma plataforma que promete ajudar as ONGs brasileiras a estabelecer canais diretos com doadores potenciais tanto no País, como no exterior. O serviço inclui um pacote de novos domínios internacionais de internet (.ngo e .ong) e traz ferramentas para ajudar as organizações a aumentar sua visibilidade. O objetivo é apoiá-las em seus processos de captação de recursos servir de ponte para ampliar conexões com outras organizações, em diversas localidades do mundo.

A plataforma OnGood foi lançada pela Public Interest Registry (PIR), que é uma organização sem fins lucrativos encarregada de operar os domínios .ORG, .NGO e .ONG. Para se ter uma ideia, o domínio .ORG é o terceiro maior do mundo, com mais de 10 milhões de nomes registrados. Como parte de sua missão, a PIR desenvolve uma série de ações para ajudar a comunidade de organizações sem fins lucrativos a usar a Internet de forma mais eficaz. Lidera, também, as discussões técnicas e políticas relacionadas ao sistema de nomeação de domínio.

O serviço está disponível em cinco idiomas, incluindo o português. O processo de adesão passa necessariamente por obter um domínio .ONG ou .NGO. Estes são domínios internacionais que podem ser obtidos online por meio de diversos provedores filiados ao sistema.

Exemplo de página de perfil que as ONGs podem criar na plataforma

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Depois de obter o domínio, a ONG precisa pedir a filiação à plataforma e mostrar que atende aos critérios de filiação: atuação pelo interesse público, prova de que é sem fins lucrativos, influência limitada de governos, independência política, atividade comprovada, existência de estruturas formais e respeito à legislação.

Dave Stewart, vice-presidente de Marketing e Vendas da PIR, explica que estes critérios não são gratuitos e visam garantir tanto aos membros da plataforma, como aos possíveis apoiadores, que as organizações são independentes, existem de fato e cumprem com seus objetivos institucionais.

"No processo de criação do OnGood fizemos uma ampla consulta em diversos países pra entender o que as organizações esperavam e buscam. Falamos com mais de 16 mil organizações em mais de 40 países para tentar capturar de forma abrangente as demandas existentes", diz.

Uma vez que a organização entra para a Plataforma, ela ganha um perfil específico cujo conteúdo pode manejar da forma que achar mais adequada. Isto inclui a possibilidade de postar vídeos, textos e informações atualizadas sobre sua atuação. O perfil inclui também a possibilidade de a organização receber diretamente doações online. "Todo o dinheiro doado vai direto para a organização, já que a OnGood não tem fins lucrativos", explica Dave Stewart.

Ele lembra que a possibilidade de ter um perfil online que as organizações podem usar para se apresentar à comunidade nacional e internacional é muito útil. "Na nossa experiência percebemos que muitas organizações não tem presença online porque não contam com os recursos necessários sequer para ter um website".

No momento existem poucas organizações brasileiras filiadas à plataforma, mas a expectativa é que a adesão aumente na medida em que o serviço fique mais conhecido. "Estamos estabelecendo parcerias com registradores de domínio brasileiros e também com potenciais parceiros para divulgar mais o serviço no Brasil. O lançamento da versão em português foi uma decisão estratégica para ampliar o acesso das organizações brasileiras a esta plataforma gratuita e inovadora. Como o serviço está ainda no início, todo feedback é bem-vindo."