OPINIÃO

Estudantes que dobraram o governador Geraldo Alckmin contam suas histórias

09/12/2015 20:24 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
CRIS FAGA/FOX PRESS PHOTO/ESTADÃO CONTEÚDO

Hoje, colunistas de diversos meios estão abrindo seus espaços para que estudantes de São Paulo possam falar, usando suas próprias vozes, sobre a experiência que estão vivendo de se juntar e lutar contra o projeto de reorganização de escolas da rede pública de ensino do Estado de São Paulo. Todos os textos serão reunidos pela hashtag #ocupaestudantes. Tenho a honra de abrir o meu espaço no HuffPost para Brenda Meira, aluna da Escola Estadual Professor Manuel Ciridião Buarque. Abaixo o texto que ela escreveu

Ocupa São Paulo!

Brenda Meira, 17 anos, aluna da Escola Estadual Professor Manuel Ciridião Buarque

Para muitos, a ocupação que nós, estudantes secundaristas, organizamos não passa de mera bagunça, baderna, vagabundagem e falta do que fazer (palavras constantemente ditas e ouvidas). Porém, essa é a opinião de quem não convive e não presencia a nossa luta.

Estamos fazendo pelas escolas coisas que jamais foram feitas. E, se e quando foram, foi com muita má vontade. Estamos cuidando das NOSSAS escolas, que se tornaram nossas casas.

Na ocupa vivenciamos e aprendemos coisas maravilhosas que jamais seriam possíveis de se aprender "trancados" dentro de uma sala de aula.

Além das aulas de matérias convencionais como geografia, história, sociologia, entre outras, estamos tendo aulas de dança, teatro, culinária, yoga. Estamos aprendendo sobre leis e legislações do nosso país por meio de palestras ministradas por profissionais de alto nível, que estão vindo conversar com a gente aqui nas nossas escolas.

Aprendemos a conviver com as diferenças e a respeitar o próximo, na prática, no dia a dia. Mas, pra mim, acima de tudo, aprendemos que JUNTOS SOMOS FORTES!

É realmente maravilhoso você entrar na sua escola e perceber que não há mais, ali dentro, a separação de gênero nem de faixa etária. Olhamos ao redor e vemos meninos na cozinha, limpando e lavando banheiros, e meninas organizando protestos, de peito aberto, dando sua cara a tapa e se juntando na linha de frente para enfrentar a tropa de choque da polícia militar.

Quantas vezes a gente quis realizar atividades mais descontraídas, saindo daquela monotonia de sala-carteira-giz-lousa e fomos reprimidos? Quantas vezes quisemos realizar debates com assuntos que nos diziam respeito, que eram polêmicos, atuais e fomos reprimidos? Quantas vezes, ao questionarmos algumas medidas e atitudes da direção fomos, mais uma vez, reprimidos?

E agora, com os alunos à frente da escola, está acontecendo tudo isso! Estamos tendo uma noção mais ampla de tudo que acontece no nosso dia-a-dia e ao nosso redor. E estamos conseguindo, de forma maravilhosa, administrar a NOSSA escola!

Muitas pessoas que acompanham e/ou acompanharam as escolas antes da ocupação estão simplesmente deslumbradas com o que está acontecendo aqui dentro. Ouço frases como: "nunca vi essa escola tão limpa!" e "essa escola nunca foi tão organizada como agora". Esse tipo de comentário tem se tornado cada vez mais frequente.

E isso sem contar com o que os próprios alunos declaram: "nunca gostei da escola, mas agora venho para cá todos os dias e por vontade própria!". Além, é claro, das frases que mais gostamos de ouvir: "independente do resultado de tudo isso vocês já são vitoriosos", "estamos muito orgulhosos de vocês", "já fizeram historia" e "trouxemos comida!" (rsrs).

Eu acredito que grande parte da população está a nosso favor - e consegue de fato nos entender e ajudar, independente de qual seja a forma. Entendem que não estamos fazendo nada mais, nada menos do que cobrando os nossos direitos, uma vez que as informações (poucas, muito poucas) foram cuspidas sobre nós. A decisão de fazer uma reorganização e de fechar escolas foi tomada sem consultar os principais afetados com tudo isso: a comunidade escolar!

Mas, para finalizar, aqui vai um recadinho para os que acham que bombas, gases, ameaças, detenções injustas, acusações sem cabimento e agressões vão nos fazer parar...

AQUI NÃO TEM ARREGO, SE FECHAREM NOSSA ESCOLA VAMOS TIRAR O SEU SOSSEGO!

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SP: A força dos alunos das escolas ocupadas