OPINIÃO

Dica de carnaval: <em>Borgen</em>, série dinamarquesa sobre mulheres e poder

03/03/2014 14:33 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:12 -02
Divulgação

Nestes dias de festa do Momo, muita gente vai aproveitar para botar em dia suas séries de TV preferidas. Para quem gosta de política, recomendo Borgen. Lançada em 2010 e já na terceira temporada, a série acompanha a ascensão da líder política Birgitte Nyborg que, de forma inesperada, torna-se a primeira mulher a assumir o posto de Primeira-Ministra da Dinamarca. Ela lidera o pequeno Partido Moderado, de centro-esquerda, que torna-se uma espécie de "terceira via" aos partidos que controlam a vida política do país, o Liberal (centro-direita) e o do Trabalho (de esquerda).

É muito interessante acompanhar como as brigas e armações políticas entre os dois partidos principais acabam levando os Moderados ao poder, e a luta de Nyborg para construir a coligação que lhe permite assumir o posto de primeira-ministra. Depois a série vai acompanhando suas dificuldades para levar adiante a plataforma progressista dos Moderados, focada em equidade de gênero, desenvolvimento internacional, luta contra a pobreza e meio ambiente.

Mais revelador é o processo de lenta, firme e inexorável adequação da progressista Nyborg aos rituais do poder. Sobretudo ao imperativo maior de todo aquele que chega a uma posição como a dela: manter-se no poder.

De quebra, expõe as relações muitas vezes carnais entre políticos, grande mídia e capital. Interessante ver que os escândalos, armações e maracutaias diversas não são, nem de longe, atributos exclusivos da vida política brasileira.

Borgen é, em muitos aspectos, uma série sobre mulheres e poder. Os personagens femininos realmente dominam o drama, com diálogos e tramas muito bem armados. As atuações das duas principais atrizes são excelentes.

De um lado, destaque para a bela atriz Sidse Babett Knudsen, que interpreta a Primeira-Ministra Nyborg. Ela dá total verossimilhança à mulher que vai se endurecendo com o poder, ao mesmo tempo em que tenta manter suas convicções e seu casamento e vida pessoal funcionando de maneira mais ou menos normal.

De outro lado, a história acompanha a ascensão da jornalista Katrine Fønsmark, interpretada por Birgitte Hjort Sørensen, ao cargo de âncora da TV1, principal rede de tevê.

Ambas convivem em um ambiente ainda muito machista, no qual qualquer mudança no status quo é vista com grande desconfiança à esquerda e à direita. No quarto episódio da primeira temporada a nova Primeira-Ministra manda para o Parlamento um projeto obrigando todas as empresas do país a manter uma equidade total de gêneros nos seus respectivos conselhos de diretores. A reação chega ao ponto de o CEO da maior empresa dinamarquesa ameaçar mudar a sede para outro país para não cumprir a lei.

O nome Borgen significa "Castelo" e deriva do Palácio Christiansborg, sede do poder dinamarquês, onde estão reunidos na mesma estrutura o Parlamento, o gabinete do Primeiro Ministro e a Suprema Corte do país.

A segunda temporada de Borgen passa no Brasil pela Globosat com o título de The Government. É possível encontrar pela internet todos os episódios no original dinamarquês, legendados para o inglês. Uma boa alternativa para o fuzuê do carnaval.