OPINIÃO

2015

01/01/2015 14:17 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:36 -02
ISSOUF SANOGO via Getty Images
Fireworks illuminate the night sky over the Ebrie Lagoon in Abidjan during New Year celebrations January 1, 2015 in Ivory Coast .AFP PHOTO / ISSOUF SANOGO (Photo credit should read ISSOUF SANOGO/AFP/Getty Images)

Já o fiz uma vez tempos atrás, isso de colocar por escrito os planos e coisas que queremos que aconteçam no ano que está prestes a começar. Foi seguindo a máxima "vale o que está escrito", então, escrevo. Ainda que algumas coisas, de novo.

Decidi que o livro que tento escrever desde sempre enfim vai tomar de assalto as livrarias reais e virtuais. Decidi que vai ser considerado de imediato um dos maiores tesouros da literatura já escritos, que vai me garantir o Nobel e o Pulitzer, além de uma cadeira na ABL. Ou pelo menos um banquinho no canto. Decidi que a obra será tão fantástica que, em um workshop dado por mim, também estarão JK Rowling e Robert McKee. Para me ouvir, claro.

Apesar de não lembrar como fazer nem ao menos uma equação do segundo grau, decidi que vou ganhar a Medalha Fields. Não dá mais pra ser o primeiro brasileiro a fazer isso, mas ainda deve ficar bem legal na estante. Pelo menos uma característica eu sei que divido com John Nash: falar sozinho e ver o que não está lá.

Como beleza não é tudo mas é 100%, também decidi dar um trato no visual. Mesmo que precise passar por uma ou outra cirurgia plástica, não encerro o ano sem estar a cara do... uhm... de quem for o homem mais bonito da vez.

É, talvez precise de mais do que só uma ou outra cirurgia.

Acredito que é mais importante ser do que ter, então decidi que vou ser rico. Uma fortuna para fazer Zuckerberg ou os sheiks árabes parecerem pedintes. Decidi que meus rabiscos, que ouso chamar de "desenhos", serão descobertos por um grande expoente da arte e todas as galerias do mundo vão sair em uma competição estilo Jogos Vorazes pelo direito de exibir uma das minhas obras. Lichtenstein, Pollock e afins vão ter suas telas transformadas em toalhas de mesa retrô.

Decidi que vou revisar e revolucionar as teorias da física quântica - e de qualquer outra - fazendo Stephen Hawking precisar usar o chapéu de "burro" no cantinho da sala. Decidi repensar todo pensamento filosófico ou não, empurrando Platão para dentro de volta para dentro da sua caverna e Deleuse à estaca zero na sua invenção de conceitos.

Decidi que o mundo vai ver afinal o quanto sou incrível e, como todo milionário, vou se daqueles que menos precisa gastar dinheiro, porque ganha de tudo. Vou ganhar uma casa no Tahiti e figurar em "Life of Luxury". Que vou promover festas onde DeadMou5, Van Buuren e Garrix vão guerrear pelo controle das mesas e onde coelhinhas que antes corriam para o colo do Hugh Hefner não vão parar de saltitar.

Mas para evitar ciúmes em Zaha Hadid, que já terá insistido em oferecer outra casa pra mim com sua assinatura, vou aceitar também.

Decidi que a DRT que tenho como ator e que acumula poeira há anos vai enfim conhecer a luz do sol, e logo no meu primeiro teste vou ser descoberto e contratado para uma nova franquia, que virá para substituir e jogar no esquecimento qualquer Indiana Jones ou Harry Potter. Como escritor vencedor do Nobel, e do Pulitzer, meus palpites vão ser responsáveis por dar aos filmes os Oscar de melhor roteiro e, claro, ator principal.

Em um outro workshop para roteiristas, Charlie Kaufman virá me ouvir.

E já que ainda corre em mim, também, sangue publicitário, vou fazer a campanha de lançamento do meu filme, o que vai me render um Grand Prix em Cannes.

Decidi que vou namorar a Scarlet Johansson. E a Jennifer Lawrence. E a Marina Ruy Barbosa. Decidi que o amor delas por mim vai ser sincero.

Se não for, compro um que seja.

Decidi descobrir o moto-contínuo, a cura para todas as doenças que continuam por aí há tanto tempo, como AIDS e câncer, a solução para a fome onde a houver, e que no discurso que farei ao receber, obviamente, outro Nobel - pela paz -, conseguirei estabelecer a paz entre judeus e palestinos. Entre Petistas e não Petistas. Entre Courtney Love, Chris Novoselic e Dave Grohl.

Ah, sim: vou desmantelar o Estado Islâmico, o Boko Haram e quaisquer outros grupos extremistas que existam. Vou encontrar o criador das "bonecas da morte". E saber qual é a pergunta cuja resposta é "42".

Em minha entrevista, vou interromper o Jô Soares: "Com licença. Sou eu quem está falando."

Decidi que vou começar um negócio tão inovador e incrível que jamais terá passado pela cabeça de ninguém. Se você não faz ideia do que é, é sinal de que estou no caminho certo.

Decidi que ( - espaço destinado para outra coisa incrível ainda não pensada - )

Enfim, não sei quais foram as suas decisões para o Ano Novo. Mas ao que tudo indica, ser meu amigo parece ser um ótimo começo.

Feliz Ano Novo.

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Renato @aperteoalt