OPINIÃO

Lição de casa

26/10/2015 17:53 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
Yagi Studio via Getty Images
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É preciso ler a Piauí deste mês, com o diário de Fernando Henrique Cardoso, uma arrancada de band-aid no sistema político brasileiro.

É preciso parar de ter impressões, os cinco sentidos são falhos, e começar a fazer conexões e ter ideias.

É preciso largar o celular quando existem pessoas próximas e dar uma chance de conversar com elas, olho no olho, não pixels na tela.

É preciso perceber que estamos todos naufragando e que, se deixo de fazer a minha parte, alguém vai se afogar mais rápido, não vai suportar o peso, num ciclo nefasto, Titanic energético.

É preciso entender que não precisamos de uma roupa nova por dia, seis coleções por ano. Que não precisamos de tanto pãozinho no couvert.

É extremamente necessário entender que feminismo não é mimimi, que assédio é crime e não acontece só na periferia, como se a periferia fosse tão além que não nos dissesse respeito.

É preciso entender o ciclo de miséria, o menino que pula catraca no ônibus pra ir à praia e que vê na corrente de ouro ou no tênis de marca não apenas um objeto de roubo, mas sua própria existência roubada.

É preciso elogiar de vez em quando, como estímulo e agradecimento, não como amaciante do ego.

É preciso ter simpatia, mas antes de mais nada, empatia.

É preciso entender que vivemos em tempos de guerra - literal e metafórica. Que não podemos aceitar ditaduras de pensamento, ditaduras de relacionamento, ditaduras de looks do dia.

É preciso entender que bullying existe no dia a dia, que as pessoas se sentem excluídas e que, no final, estamos todos sozinhos, loucos e cambaleantes, como bêbados.

É preciso, ainda, encontrar um plano B, um caminho do meio, uma maneira de se sustentar e ser sustentável sem se violentar constantemente - ou violentar o próximo, o que dá na mesma, porque a conta chega.

É preciso fazer as perguntas certas. E, com elas na cabeça, ir atrás das respostas. Ainda que elas nem sempre apareçam.

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