OPINIÃO

A moda é para apenas para os fortes. Será?

04/11/2015 16:09 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02

O mundinho da moda, como é pejorativamente chamado por quem não faz parte dele, está passando por um furacão, ou vórtice da loucura, como bem sinalizou uma colega de redação - qualquer um pode ser tragado inesperadamente.

Tudo começou faz um bom tempo, mas ganhou a atenção da mídia e dos especialistas na semana passada, enquanto acontecia o SPFW. Raf Simons, o estilista belga (e mega-talentoso) que havia assumido a direção criativa da Dior, não renovou seu contrato depois de três anos e meio, alegando motivos pessoais.

Todo mundo abalado, análises mundo afora e vem outra bomba. Na quarta-feira, 28 de outubro, Alber Elbaz, que tirou a Lanvin do ostracismo, saiu de cena depois de 14 anos e 16 minutos de desabafo numa premiação.

"Eu preciso de mais tempo. Todo mundo hoje na moda precisa de mais tempo", declarou, ressaltando que não quer ter Instagram pessoal ou ter que recepcionar clientes em lojas, apenas algumas das funções que foram se acumulando com o passar do tempo.

A verdade?

Estamos todos à beira de um colapso nervoso. Uns saem de um jeito chique, como Raf e Elbaz, outros, como John Galliano e Christophe Decarnin, acabam surtando. É, ao que parece, uma questão de personalidade, embora tudo leve a um ponto em comum: precisamos mesmo de tudo isso?

Desde que as redes de fast-fashion entraram com força no business (começo dos 2000), o prêt-à-porter foi se remodelando. Além dos tradicionais verão e inverno, somam-se agora coleções intermediárias de resort e pre-fall. E, desde que as mídias sociais substituíram os jornais, a importância dada ao Instagram ou ao Snapchat extrapolou qualquer limite razoável.

Estilistas com faro de marketing - Christopher Bailey (Burberry), Olivier Rousteing (Balmain), Jeremy Scott (Moschino) ou Karl Lagerfeld (Chanel/Fendi) - aumentaram o job description dos cargos adicionando o fator web celeb: além de desenhar, é preciso comparecer a eventos, ter milhões de seguidores e amigas famosas, bem famosas. #preguiçaalheia

Até aí nenhum problema, se eles gostam de um agito e muito holofote. O drama é que isso passou a ser visto como obrigação de toda uma geração de designers ou jornalistas de moda. A regra é trabalhar 24 por 7, estar disponível, ou melhor, grudado no smartphone postando sem parar. A era do parecer, não do ser. A era dos pixels na tela, não das conversas.

Sendo assim, gente reclusa, mas cheia de talento, vai perdendo espaço, como se vivesse em dívida. "Quantos seguidores você tem?" tomou o lugar do bom e velho currículo. Gente sensível e criativa se sente esmagada pela planilha de Excell. Como criar algo realmente novo, pensado, que faça diferença, em um espaço de tempo cada vez mais curto e povoado de imagens ou notícias que no fundo não dizem nada? Quem souber, deixa a resposta abaixo!

Eu não sei se essa roda vai parar de girar, nem sou do tipo nostálgica, que acha que tudo era melhor no passado. Mas está mais do que na hora de ela desacelerar ou cairemos todos no tal vórtice da loucura. Quem é são parece louco. E os loucos vão tomando conta da casa. #oalienista

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