OPINIÃO

Alphabet: a reinvenção do Google na busca pela inovação

11/08/2015 12:46 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02
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O Google chocou o mundo ao anunciar mudanças ousadas em sua estrutura, em um movimento que mais parece o "pivot" de uma startup do que o caminho natural de uma multinacional, cujo valor de mercado é de 445 bilhões de dólares. Em uma carta simpática, sem jargões corporativos, e com direito até a um Easter Egg, Larry Page e Sergey Brin, fundadores do Google, revelaram uma nova empresa, a Alphabet, da qual o buscador será apenas mais um braço - o direito, pelo menos por enquanto.

A novidade não só surpreendeu o mercado, como também deu um nó na cabeça de quem acompanha de perto todos as notícias do Google. Vale lembrar, contudo, que o movimento já era previsível. O Google cresceu tanto a ponto de se perder como empresa. Se tornou modelo a ser seguido, copiado, sinônimo de companhia bem-sucedida. Haja responsabilidade! E a iniciativa de separar cada uma de suas operações, a fim de que cada setor caminhe com suas próprias pernas, mostra como Page e Brin ainda carregam no DNA a curiosidade natural dos acadêmicos de Stanford e a inquietação dos empreendedores do Vale do Silício.

As empresas crescem e perdem a flexibilidade para mudanças repentinas. Essa é a grande diferença de uma startup para uma companhia já estabelecida. Cada passo é avaliado com cautela e cada decisão equivocada ou mal compreendida pode se transformar em perdas financeiras que precisam ser detalhadamente explicadas aos acionistas. Pode parecer inusitado, mas quanto mais dinheiro uma empresa tem em caixa, mais difícil é usá-lo para projetos pouco usuais ou com retorno a longuíssimo prazo.

É por isso que a Alphabet faz todo sentido. Como um grande guarda-chuva, a holding vai reunir iniciativas que merecem estratégias completamente diferentes, dada a complexidade de cada um dos projetos. Além do Google, ficam sob a nova empresa o Calico, uma companhia cujo o objetivo é "só" aumentar a longevidade humana; a Nest, que promete dar vida à internet das coisas a partir da conexão e integração de gadgets à rede; o Fiber, que pretende oferecer internet de altíssima qualidade, e extremamente veloz, a preços competitivos; o Google X, laboratório onde está sendo desenvolvido o carro sem motorista e o Wing, um drone para delivery; e a Life Sciences, que vem trabalhando em lentes de contato capazes de medir os níveis de glicose de seus usuários.

Cada um desses negócios foge da essência do Google, que nasceu para organizar a informação. O novo movimento surge, então, não só para garantir maior transparência nos investimentos feitos pela empresa em projetos futuristas, mas também para dar espaço para que o Google continue inovando na internet, seu berço e seu habitat natural. Sem dispersões, cada um dos negócios tende a ganhar a atenção merecida para que possa crescer e prosperar - alguns mais rápido, outros nem tanto.

O Google está, portanto, se reinventando para continuar sobrevivendo em um mercado em que Facebooks, Twitters, Ubers e Netflixes surgem a todo momento. Já o Alphabet vai dar autonomia para ideias ousadas, complexas, que exigem pesquisa, tempo e muito, mas muito investimento, para se desenvolver. É um passo atrevido e singular, mas que só poderia ter sido dado por uma empresa no mundo: o Google.

sergey larry google

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