OPINIÃO

Netflix, HBO Now, Amazon Video: A praga que é tornar-se quase uma TV por assinatura

27/10/2015 11:17 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
shutterstock

Fala-se que a Netflix ajudou a combater a pirataria. Eu não usaria o termo "combater", mas é fato que muita gente passou a piratear menos (não creio que o grosso tenha abandonado a prática, até porque a Netflix tem catálogo limitado e restrições de região).

Por outro lado, muita gente que não tem acesso à ferramenta de streaming (por diversas razões) passou a piratear o próprio conteúdo produzido por ela, mas essa é outra história.

Mas meu ponto é que a ideia do Netflix de agregar conteúdo em uma plataforma e cobrar por isso funcionou, mas penso eu que o modelo corre o risco de ser vítima do próprio sucesso.

Muita gente que conheço (e que não conheço, mas leio) comenta que se fosse possível ter mais algumas opções (como assistir futebol e outros esportes) cancelaria a TV por assinatura e ficaria com o Netflix e/ou serviço similar. O pavor que isso causa nas empresas de TV por assinatura são outro papo.

Eis que entra a Amazon para competir com a Netflix, também criando conteúdo e também Hulu e plataformas como o HBO Now que até no Brasil pode vir a ser vendido sem exigir contrato com empresa de TV por assinatura.

Tudo muito bom, muito lindo, mas há um problema.

A maior parte (ou ao menos parte considerável) do catálogo do Netflix e de qualquer outro serviço semelhante é irrelevante para a maior parte dos que assinam. O diferencial está no fato de ser possível assistir em tese o que quiser, quando quiser e onde quiser (restrições por local à parte). É não precisar aguentar 500 reprises no Telecine pra assistir o filme que você quer às 3 da manhã de uma segunda.

O Netflix oferece num mesmo lugar o que o assinante quer ver, quando quer ver e quantas vezes quer ver. E com um diferencial importante: você não precisa assinar o pacote top pra ter aquele único canal que te interessa que não existe no pacote básico. Você paga só uma vez por tudo. E tem acesso irrestrito a tudo. Não paga por trocentos canais inúteis pra ver apenas um ou dois.

Ou deveria ser assim.

O problema é que com novos players surgindo, competindo por catálogo, oferecendo conteúdos novos, reciclando conteúdos ou canais antes gratuitos, caso do Youtube Red, voltamos ao problema de pagar por pacotes cheios de canais inúteis.

Você assinando o Netflix não significa ter acesso a uma quantidade imensa de filmes e séries, mas não porque a empresa ainda não adquiriu os direitos, e sim porque outra empresa detém esses direitos e cobra para que você acesse o conteúdo.

Antes assinávamos o pacote básico, o médio, o top, o top plus, o top plus exclusivo (e de quebra o Premier), agora nós assinamos Netflix, Youtube Red, Hulu, HBO Now, Amazon Video, etc, etc etc. Assinamos um "pacote" para termos séries da HBO, outro para termos as da Netflix, outro para as da Amazon, outro para termos a séries de outras empresas, filmes...

Ou seja, voltamos ao ponto de partida. Se eu não tinha dinheiro para pagar os pacotes da TV por assinatura onde estavam os programas que mais me interessavam, terei para pagar "trocentas" assinaturas pela internet? Em que ponto o somatório dos valores de assinaturas de video on demand superarão o preço da TV por assinatura ao ponto da suposta comodidade deixar de ser tão relevante?

Estamos diante de um processo de pulverização. Pagamos um preço por cada assinatura para assistir a determinado conteúdo como pagávamos por pacotes na TV por assinatura ao ponto em que esses serviços de video on demand se tornam pacotes de TV por assinatura.. Ou, claro, pirateamos como se não houvesse amanhã.

SIGA NOSSAS REDES SOCIAIS:



VEJA MAIS SOBRE NO BRASIL POST:

5 dicas para você usar melhor a Netflix