OPINIÃO

Jornalista petista sugere assassinato de Luciana Genro e causa revolta nas redes sociais

01/04/2016 11:12 -03 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
Montagem/YouTube/Ag.Câmara

Breno Altman é editor do Opera Mundi e da Revista Samuel, colunista do Brasil 247 (também conhecido como Brasil 171) e, segundo diversas mídias, amigo próximo de José Dirceu, de quem parece ter adotado o tom belicoso e a falta total de ética, noção e limites.

A maior parte dos que acessam o Facebook e possuem relações com gente de esquerda (de esquerda, não petistas, que fique claro) já devem ter visto a singela postagem de Altman incitando ódio, violência e mesmo o assassinato de Luciana Genro, uma das principais lideranças do PSOL.

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Se destacadas figuras do entorno do PT são capazes disso diante de uma postagem no Facebook de uma liderança de um partido em geral dócil ao PT e disposto a colocar a própria ética e bandeiras de lado para, sempre que necessário, salvar o PT das enrascadas que se meteu, imagina o que não reservam para os "inimigos".

A postagem de Luciana eleva um pouco o tom das críticas ao PT, mas não vem acompanhada de reais ações ou de um -- necessário -- afastamento dos dois partidos, mas foi suficiente para tirar do sério um (ou na verdade vários) saudoso dos campos de trabalho forçado e assassinatos políticos da era Stalinista.

Como escreveu o Samuel Braun, Altman e o PT não aceitam "que seja apontado que esquerda e PT são opostos irreconciliáveis por engenharias eufemísticas".

Pra quem não sabe: 1940 foi quando Trotsky, rival de Stalin e refugiado no México, foi assassinado por um agente stalinista. A picaretadas.

Eu não sou nenhuma besta quadrada, e sei bem qual é o tipo de retórica que um sujeito pode usar pra justificar o que está dito: 1. "Não fui eu que disse, e sim um amigo". 2. "Meu amigo não disse que Luciana deveria ser morta a picaretadas e sim que isso acontecia em 1940, mas felizmente estamos em 2016". Temos ainda a opção patética de número 3, que é argumentar que o amiguinho não estava se referindo ao assassinato de Trotsky, mas a algum outro evento qualquer. Bullshit. Anotem todas, quero ver se o cara vai usar alguma delas. Porque o que eu quero saber é o que ELE acha dessa abominação que o amiguinho dele disse. via Alexey Magnavita.

Não tem muito tempo um dos milhares de perfis petistas fanatizados incitou o assassinato do juiz Sérgio Moro nas redes (para depois recuar covardemente e com desculpas esfarrapadas), assim como são recorrentes casos de racismo, defesa de violência policial contra manifestantes de esquerda, manipulação, Reductio ad Hitlerum e outras tosquices entre a militância petista e governista nas redes.

Curioso que estas mesmas pessoas são as que reclamam do "ódio da direita". E mais curioso ainda, esta última pérola de Breno Altman veio horas antes de declaração de Dilma Rousseff afirmando que "lamenta profundamente aqueles que vêm destilando o ódio no país e diz que a intolerância é a base da violência.".

Será que ela não sabe o que fazem seus apoiadores nas redes sociais? Ela não sabe o que e quem seu partido financia?

Curioso (sim, uma sucessão de "curiosidades") que a diretora da agência Pepper, aquela que contratou a Dilma Molada, tenha acabado de acertar uma delação premiada por ter recebido milhões do PT (para atacar adversários e financiar a guerrilha virtual, imagino).

Há algumas semanas vazou de um dos vários grupos no Facebook onde a militância petista se organiza, materiais de divulgação feitos pelo PT (seriam feitos pela Pepper? Pelo João Santana?) para páginas e perfis nas redes sociais, muitas que se dizem "independentes" ou simplesmente não indicam claramente sua filiação (ou seu financiamento, nem de onde vem a grana para os milhares de bots e robôs a serviço do partido).

Breno Altman é, como seu ídolo e amigo José Dirceu, stalinista. Adepto da tese de fazer o que for necessário para chegar e se manter no poder. De mensalão a incitação de assassinato nas redes sociais. O pacote completo. Enquanto petistas esperam uma "guinada à esquerda" sobram mostras de que, na verdade, a guinada é ao fascismo.

Vamos resumir a posição de amplos setores da esquerda nos últimos anos, atentando para o masoquismo dominante:

2013: PT Maldito, nos reprimindo.

2014: VIVA DILMA! VOTO CRÍTICO!

2015: Nossa, o governo Dilma é um horror

2016: VIVA DEMOCRACIA! VIVA LULA

Eu não consigo ver diferença, volto a repetir, entre sair lado a lado com Bolsonaro e seus Bolsominions ou monarquistas e sair às ruas com Eduardo Guimarães, PHA,Edu Goldenberg, vulgo "Boilesen" da Av. Brasil, e cia. Texto no Huffington Post.

Como se vê, o PT não tem outro objetivo senão o de se manter no poder a qualquer custo.

Não há "defesa da democracia", mas da Dilmocracia. A entronização do partido no poder tendo Lula como messias e Dilma (por enquanto, porque Ele voltará!) como representante de suas vontades.

E a esquerda, infelizmente e pese uma ou outra declaração mais corajosa, embarca no roteiro escrito pelo partido. Entra de cabeça na luta contra o "golpe", quando tantos golpes foram dados por Dilma e pelo o PT, como Belo Monte, a lei antiterrorismo ou o oferecimento de tropas para reprimir os protestos de Junho de 2013 (para ficar em poucos exemplos, pois estes não faltam).

O PT perdeu o jogo. Jogou, abandonou a ética e investiu na realpolitik das mais sujas e agora perdeu -- enquanto grita contra outros que usam e abusam da mesma realpolitk, mas tem anos a mais de experiência. E dá sinais claros de desespero e descontrole. E fará de tudo pra levar a esquerda inteira junto. Por enquanto está conseguindo.

Entrementes alguns conhecidos têm informado que estão recebendo mensagens intimidadoras por não se colocarem contra o "golpe". As táticas que nos lembram os ídolos de Altman continuam mais presentes do que nunca.

Fica um pensamento final: de nada adianta repudiar os comentários de Breno Altman e de tantos outros para, no fim, desfilar pelas ruas de braços dados com estas mesmas pessoas pela mesma causa e pelo mesmo partido.

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O jornalista Breno Altman publicou o que acredita ser um pedido de desculpas em sua página do Facebook após a reação de milhares de pessoas revoltadas.

Primeiro Altman tentou disfarçar sua ameaça dizendo que "é só humor", um dos últimos refúgios do canalha. Depois ataca aqueles que o criticaram pela ameaça (ou incitação?).

Em um momento de crise política, em que pessoas são agredidas nas ruas pela cor da camisa que vestem, um irresponsável resolve "fazer piada" de teor stalinista (logo, pregando abertamente a violência e a eliminação de uma opositora) e depois sair atirando porque nós não entendemos?

O "pedido de desculpas" covarde e a contragosto conseguiu ser pior que a mensagem original.

* Este artigo foi originalmente publicado no Democratize, uma terceira via ao jornalismo.

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