OPINIÃO

Atuar na Paz Internacional começa por repensar o que é a Paz

21/08/2015 18:35 -03 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
Anadolu Agency via Getty Images
GAZA CITY, GAZA - AUGUST 21: Members of Ezzedin al-Qassam Brigades, the armed wing of the Hamas movement, march with their weapons during a military parade marking the one-year death anniversary of three al-Qassam commanders Raed al-Attar, Mohammed Abu Shamala, and Mohammed Barhoum on August 21, 2015 in Rafah town, southern Gaza Strip. (Photo by Ali Hassan/Anadolu Agency/Getty Images)

É inegável que a paz e a construção da mesma são pilares fundamentais da realidade internacional. Contudo, estranhamente, o Brasil e o restante dos países da América Latina ainda abdicam de uma inserção mais qualificada nesta estruturante esfera da cena internacional. É bem verdade que há o envio de um número crescente de tropas para cenários pós-conflito. Contudo, priorizar o envio de tropas denota o óbvio - um entendimento no mínimo estreito do que é a paz e uma inserção essencialmente periférica dentro desta discussão. Caso a região como um todo, e o Brasil em particular, queiram ter um papel preponderante dentro da política internacional, modificar tal cenário é urgente.

Esta transformação começa por mudar a forma como a construção da paz no sistema internacional é refletida. Por muito tempo, dentro da disciplina das Relações Internacionais, a paz foi entendida enquanto o simples oposto da guerra. Não por acaso, não é rara a visão de que para se conseguir a paz o melhor caminho é preparar-se para a guerra. Mesmo com a evolução da disciplina, até hoje as discussões que giram em torno do estudo da guerra, da estratégia e da geopolítica têm um espaço excessivo. Não é coincidência, portanto, que quem conduz esta discussão no país seja, sobretudo, o Ministério da Defesa. Consequentemente, dentro desta lógica, atuar na paz internacional é o equivalente ao mero envio de tropas.

Contudo, esta é uma visão limitada. Sair desta inserção periférica começa por repensar o que é a paz e como esta pode ser construída em cenários pós-conflito. Primeiramente, passa por entender a construção da paz não como o inverso da guerra, mas sim como a superação de diferentes violências dentro dos processos de reconstrução pós-bélica. Para além da violência observável, algo que o envio de tropas pode ajudar, é preciso ter em conta outras violências, menos visíveis, formadas por estruturas políticas, econômicas e sociais injustas que frequentemente estão nas raízes dos conflitos. É precisamente neste ponto que a construção da paz liga-se, por exemplo, à ideia de desenvolvimento e chega ao nível dos indivíduos.

Nestes contextos, faz mais sentido uma atuação multidimensional, em conjunto com a população local e consoante com suas visões de paz, em esferas como segurança, política e economia, mas também educação, saúde, infraestrutura, dentre outras. As Nações Unidas, em tese, tentam algo nesta direção. Contudo, na prática, suas operações de paz buscam replicar modelos de organização política, econômica e social do Ocidente, fortemente questionados inclusive no mesmo, em cenários pós-conflito. Logo, cada vez mais é necessária uma atuação no terreno que efetivamente busque suplantar as diferentes violências e inseguranças dos indivíduos nestes cenários.

Em cenários pós-conflito como por exemplo Díli no Timor-Leste, percebe-se que é esperado do Brasil e demais países latino-americanos este papel. Há o entendimento de que existiria uma maior compreensão das dificuldades destas localidades, o que levaria à práticas distintas e mais próximas da realidade local. Resta saber se há o preparo necessário para este enorme desafio. Na ausência de uma real discussão sobre o que estende-se por paz, e como pode-se atuar nesta esfera, vê-se que há ainda um longo caminho a ser percorrido.



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