OPINIÃO

Programação Queer da Bienal Sesc de Dança movimenta Campinas

Gênero, sexualidade, nacionalidade e inclusive palcos revelam a beleza da diversidade no evento.

22/09/2017 13:34 -03 | Atualizado 22/09/2017 13:34 -03
Divulgação
Salia Sanou, de Burquina Faso, compôs a coreografia "Do Desejo de Horizontes" a partir de oficinas realizadas em campos de refugiados na África.

Enquanto a polêmica sobre o cancelamento da exposição Queermuseu - Cartografias da diferença na Arte Brasileira ainda paira do sul ao norte, a Bienal Sesc de Dança não economiza esforços para deixar a pluralidade em evidência. A 10ª edição da mostra coloca em cartaz mais de 60 atividades, até 24 de setembro, em Campinas.

Porém, nem tudo é discussão sobre gênero e sexualidade. A curadoria, formada por Claudia Garcia, Claudia Müller, Fabricio Floro e Wagner Schwartz, teve uma "atitude queer" na escolha das peças, cursos, filmes, exposições, palestras e lançamento de livros.

A intenção? Incentivar um deslocamento na direção oposta ao binarismo, convenções e padrões institucionalizados. O resultado? Uma programação que transpira diversidade. E integra diferentes estéticas, etnias e temáticas.

Entre os destaques, está, sem dúvida, a vinda do coreógrafo novaiorquino José Gutierrez. Conhecido mundialmente por ter trabalhado com a cantora Madonna, José Xtravaganza - como também é chamado - participará de uma conversa após a exibição de dois filmes sobre voguing. E dará aulas da técnica de dança que ficou famosa por causa do clipe Vogue (1990) da rainha do pop.

De Minas Gerais, o Coletivo Toda Deseo realiza o performático Campeonato Interdrag de Gaymada, para que os bofes, amapôs e as tradicionais e progressistas famílias brasileiras se divirtam enquanto questões da comunidade LGBT ganham visibilidade.

Luiz de Abreu mostra - com a interpretação de Pedro Ivo Santos - seu já clássico O Samba do Crioulo Doido. No solo, o coreógrafo desconstrói estereótipos da brasilidade e a maneira como ela apresenta o "corpo preto".

O feminismo emerge em dose dupla com o paulistano Núcleo Artérias dirigido pela coreógrafa Adriana Grechi. Em Bananas, as intérpretes instigam o público a repensar o que é a gestualidade tipicamente masculina e questiona a diferença entre gêneros. Já em Protesto, foram observados rituais de transe e alteração de consciência para refletir sobre o papel das mulheres em sociedades patriarcais.

A noite de abertura ficou com a companhia Mouvements Perpétuels, de Burquina Faso. Artistas vindos da Argentina, Bélgica, Chile, França, Itália, Japão e Uruguai se juntaram outros da própria cidade de Campinas e vindos da Bahia, Paraná, Piauí, Santa Catarina, São Paulo e Rio de Janeiro. A carioca Lia Rodrigues Cia. de Danças desembarca com Para que o céu não caia, eleito o melhor espetáculo de dança de 2016 pela premiação da revista Bravo!.

A diversidade também está nos espaços em que as atividades são realizadas. Teatros, museus, praças, a Unicamp e a rodoviária recebem a programação para adultos e crianças. O epicentro e ponto de encontro é o complexo do Sesc Campinas. E os ingressos variam de gratuitos a R$ 30.

*Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.

Bienal Sesc de Dança 2017 (Destaques)