OPINIÃO

Foi dada a largada para a eleição presidencial indireta em 2017

15/12/2016 13:39 -02 | Atualizado 15/12/2016 13:39 -02
Bloomberg via Getty Images
Michel Temer, president of Brazil, listens during an interview in New York, U.S., on Monday, Sept. 19, 2016. Temer expects significant budget savings only after 2020 from a pension reform proposal he intends to present to Congress before year-end, the country's pension secretary said in an interview. Photographer: Christopher Goodney/Bloomberg via Getty Images

Três fatos curiosos vieram à luz na última terça-feira (13), dia em que o senado aprovou a PEC 55 (ex-PEC 241), a chamada "PEC do Teto".

1. O governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) fez críticas à emenda: "Se nós vamos ter por 20 anos nada a aumentar acima da inflação, já começa que a saúde é dolarizada e aumenta acima da inflação. Ela tem custos dolarizados. A demanda cresce, a medicina fica mais sofisticada, a população, mais idosa... A conta não fecha".

2. O senador Ronaldo Caiado (DEM) insinuou que o suposto presidente Michel Temer deveria renunciar: "Podemos chegar a um último fato para preservar a democracia, um gesto maior, para mostrar que ninguém governa sem apoio popular. Nesta hora, não podemos ter medo de uma antecipação do processo eleitoral, de maneira alguma".

3. Carlos Siqueira, presidente do PSB, afirmou que a Executiva Nacional da sigla não discutirá, em reunião marcada para esta quarta-feira (14), a saída do partido da base aliada do governo Temer (o problema é que quando um presidente de partido precisa dizer que alguma coisa não está em discussão é porque essa coisa está, sim, em discussão).

Esses três acontecimentos reforçam a tese de que teremos uma eleição indireta para presidente em 2017, provocada por impeachment ou renúncia do suposto presidente Michel Temer, ou pela cassação da chapa Dilma/Temer pelo TSE.

Alckmin, candidato derrotado em 2006 e um dos mais cotados para a próxima eleição, é o tipo de político que faz tantas jogadas que fica difícil prever qual será a próxima. Em setembro de 2015, o governador de São Paulo se colocou contra o impeachment da presidente eleita Dilma Rousseff. Já em março de 2016, era totalmente a favor.

Ao bancar a candidatura de João Dória para a prefeitura de São Paulo, mesmo contra a vontade de boa parte do seu partido, Alckmin enfraqueceu internamente o PSDB, rachando o partido durante as prévias. Mas, com a eleição de Dória, os tucanos se fortaleceram - principalmente o lado alckmista.

Em setembro deste ano, Alckmin afirmou que o PSDB daria apoio às medidas de Temer. Agora, ele critica uma das principais propostas do suposto presidente. Estaria Alckmin começando a se afastar do pmdbista já pensando numa eventual eleição indireta em 2017? Não é impossível.

Aparentemente, é o que também estão fazendo Ronaldo Caiado e o PSB. Ambos apoiaram o impeachment da presidente Dilma. Agora, depois de um vendaval de escândalos e denúncias atingindo o governo Temer, eles iniciam, ainda que neguem, um processo de afastamento.

Dentro do DEM, Caiado é o mais cotado para encabeçar uma candidatura do partido à presidência. O PSB não tem nenhum grande nome para disputar uma eleição presidencial, porém, volta e meia ventila-se a possibilidade de Geraldo Alckmin trocar o PSDB pelo PSB, já que a concorrência entre os tucanos é grande.

Os eleitores brasileiros são conhecidos por terem memória curta. Daqui a alguns meses poucos se lembrarão de que o PSB foi aliado dos governos petistas até quando lhe foi conveniente, assim como é aliado do governo Temer até o momento; de que o senador Ronaldo Caiado foi um dos mais ferrenhos defensores do impeachment e, por consequência, da ascensão de Temer à presidência; e de que Geraldo Alckmin aparece nas planilhas de caixa 2 e/ou propina da Odebrecht com o apelido de "Santo".

A política brasileira é tão patética e repetitiva que podemos antecipar os discursos que eles utilizarão quando anunciarem o rompimento com o governo Temer: "Acreditávamos que o novo governo cumpriria suas promessas e tiraria o país da crise. Quando notamos que isso não aconteceria, passamos a criticá-lo. Somos totalmente coerentes e sempre pensamos, acima de tudo, no Brasil".

Funcionário do Mês

Durante a votação da PEC 55 no senado, chamou a atenção uma declaração do senador Hélio José, do PMDB. Ele afirmou, no final do seu discurso, que "nosso governo é limpo".

Diante de tantas denúncias envolvendo Michel Temer e companhia, teria o senador Hélio José se referido ao fato de todos os membros do governo estarem com a higiene pessoal em dia?

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