OPINIÃO

Dilma Rousseff ainda não pediu desculpas

13/05/2016 17:07 BRT | Atualizado 27/01/2017 00:31 BRST
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VANDERLEI ALMEIDA via Getty Images
Brazilian suspended President Dilma Rousseff gives a press conference with international media at the presidential residence Alvorada Palace in Brasilia on May 13, 2016. After months of the storm clouds massing, lightning struck President Dilma Rousseff on Thursday with Brazil's Senate ejecting her from office as it moves towards her likely impeachment. The fight, though, continues. Rousseff has vowed to reverse what she calls a 'coup' through legal defense, strident political opposition and with street protests by left-wing supporters of her Workers' Party. / AFP / VANDERLEI ALMEIDA (Photo credit should read VANDERLEI ALMEIDA/AFP/Getty Images)

E então aconteceu o que todos sabiam que iria acontecer: a presidente Dilma Rousseff foi afastada do exercício do mandato pelo Senado. Com isso assume, interinamente, o comando do governo federal o vice-presidente Michel Temer.

O afastamento é consequência da admissibilidade do processo de impeachment pelo Senado. Agora, a presidente Dilma será efetivamente julgada pelos senadores, que terão no máximo 180 dias para concluir o julgamento e decidir se ela será cassada ou se será absolvida e poderá retorna à presidência.

Diante desse novo quadro, o futuro fica mais incerto. Porque o desfecho não dependerá somente da vontade da maioria dos senadores. Se assim fosse, poderíamos sacramentar desde já o não retorno da presidente Dilma. Entretanto, muitas variantes podem influenciar essa nova fase do processo de impeachment.

Se o vice-presidente não conseguir grandes êxitos no início de seu "mandato", a situação econômica e política do País, que já é grave, ficará ainda pior. Além disso, há a possibilidade de a operação Lava Jato provocar a queda de membros da cúpula do PMDB, inclusive alguns ministros já escalados para compor o governo Temer, como Romero Jucá e Geddel Vieira Lima.

Como se isso já não fosse suficiente para pressionar o mandato interino, o próprio Michel Temer pode ser implicado em novas denúncias de corrupção, pois o vice-presidente foi citado por delatores da Lava Jato.

Não se pode, também, descartar a possibilidade de ficar comprovado, como afirmam os governistas, que a operação Lava Jato sempre esteve contaminada por motivações políticas, e seu objetivo seria, desde o início, derrubar o governo petista. Tampouco pode-se descartar a possibilidade de a presidente Dilma conseguir provar que não cometeu nenhum crime de responsabilidade.

Trocando em miúdos: a instabilidade política continuará. A diferença é que, diferente da presidente Dilma, que vinha sendo sabotada desde o final de 2013 por parte do PMDB, Michel Temer conseguirá ter alguma governabilidade.

A maior crise da história?

Está na moda dizer que o Brasil enfrenta a pior crise de sua história. Não bastasse esse impeachment fabricado, que tem como pilares a sabotagem do PMDB, as manobras de Eduardo Cunha e o instinto de sobrevivência de políticos corruptos assustados com as investigações de corrupção, a oposição inventou essa mentira.

Nos últimos meses, muita gente repetiu esse discurso, mas basta olhar para trás para descobrir que isso não passa de uma grande mentira. Inflação (12,53% em 2002; 9,28% no acumulado dos últimos 12 meses), desemprego (12,6% em 2002; 10,2% este ano), índices sociais e até mesmo alguns econômicos, tudo já foi, em algum momento - e me refiro aqui ao período pós-ditadura - muito pior do que é agora.

Se a justiça for realmente feita, a presidente Dilma Rousseff retornará à presidência do País dentro de alguns meses. Caso isso não aconteça, caberá aos bons historiadores registrar, nos livros, a grande injustiça sofrida pela presidente.

Sandálias da humildade

Pouco depois de receber a notificação do afastamento do exercício da presidência, Dilma Rousseff fez um pronunciamento. Nele, declarou, mais uma vez, que é inocente e, em certo momento, disse "posso ter cometido erros, mas não cometi crimes".

A presidente, classificada por muitos como "arrogante", poderia ter feito mais e melhor. Em vez de dizer "posso ter cometido", deveria ter dito "cometi erros", e tê-los listado. Além disso, deveria, também, ter pedido desculpas à nação pelos erros que cometeu - que não foram poucos.

Esse pedido vem sendo exigido por muitos há muito tempo, e é simples de ser feito. Basta vontade e um pouco de humildade. Inexplicavelmente, a presidente continua se recusando a fazê-lo.

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