OPINIÃO

O mito da heterofobia

02/11/2015 11:56 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
Getty Images/iStockphoto

A discussão começou em um grupo de homossexuais no WhatsApp. Aparentemente, um heterossexual teve conhecimento sobre aquela sala de mensagens e desejou participar. Como um espaço democrático, a questão foi passada a todos os membros para debate. "Um hétero aqui? Será, no mínimo, engraçado", disse um. "Um hétero não entenderá a forma em que nos tratamos, o uso no feminino de uma maneira não depreciativa", argumentou outro. E quando os comentários contrários se mostraram em maior quantidade, a acusação apareceu: "Olha a heterofobia!".

Mal que ataca zero pessoas ao redor do mundo, a heterofobia é tema de projeto de lei do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. (Sim, esse mesmo que contagia fiéis com valores religiosos e tem até carros em nome de Jesus. Literalmente). Segundo a proposta, os heterofóbicos serão condenados a penas de um a três anos de reclusão. O documento de três páginas assinado por Cunha não elenca índices de violências cometidas contra heterossexuais - por que eles não existem? -, mas afirma que as maiorias societárias também são vítimas de opressão.

Do outro lado da história, a homofobia, recusada veementemente por Cunha, mata apenas um jovem a cada 26 horas aqui no Brasil. Englobando a transfobia, foram 326 mortes só em 2014. E, sim, sete heterossexuais morreram nessa contagem: eles foram confundidos com gays.

Se o projeto de Cunha não tem números, o de criminalização da homofobia encontra vários diariamente. A página Homofobia Mata contabilizou apenas neste ano 245 homicídios documentados. Vale lembrar que, como a homofobia não é considerada crime, diversos casos são registrados como meras agressões, sem as reais causas, fazendo esse valor não ser plenamente legítimo.

Portanto, querido hétero, você não corre riscos. Não é você que sofre ameaças por ser quem é. Assim como o projeto de Cunha, a heterofobia é um vazio de argumentações. E a homofobia, um rio de sangue. Então não, não force a sua entrada. Nem em lei, nem no whatsapp. Podemos até criar espaços de convivência juntos, que tal? Mas enquanto a sociedade oprimir cada vez mais as diferenças, as minorias precisam se reunir pra dialogar. E exigir seus direitos.

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Casos de Homofobia no Brasil em 2014