OPINIÃO

Renan Calheiros, a sua hora chegou

05/12/2016 22:23 -02 | Atualizado 05/12/2016 22:23 -02
EVARISTO SA via Getty Images
Senate's President Renan Calheiros speaks during a public hearing on the bill that establishes the abuse of authority for judges and prosecutors, in the Senate in Brasilia on December 1, 2016. Even with a strong reaction against the bill from the public, Calheiros tries to speed up approval in the Senate and Lower House. The controversial law is ostensibly meant to crack down on undeclared election campaign funds, a common practice in Brazilian politics that has been linked to large-scale corruption. Judges and prosecutors have branded this as a weapon to reduce the judiciary's independence. / AFP / EVARISTO SA (Photo credit should read EVARISTO SA/AFP/Getty Images)

Em 13 de março de 2016, segundo levantamento da polícia militar, 3.6 milhões de brasileiros foram às ruas (segundo os organizadores, 6.9 milhões), com dois pedidos centrais: a saída da então Presidente da República, Dilma Rousseff, e a saída de Eduardo Cunha da presidência da Câmara dos Deputados.

No dia 17 de abril, o processo de impeachment de Dilma foi aceito pela câmara e, em 12 de maio, acabou aprovado na comissão especial do impeachment e a chefe do Executivo se viu afastada de suas funções, o que viria a ocorrer em definitivo, no fim de agosto deste ano.

Paralelamente, em 5 de maio Cunha se via afastado das funções da presidência, amargando sua cassação em 13 de setembro e, à posteriori, a apetecível prisão no dia 19 do mesmo mês.

Em 4 de dezembro, outras dezenas de milhares de brasileiros entoaram cantos em apoio à Lava Jato e contrários aos presidentes do Senado, Renan Calheiros, e Câmara, Rodrigo Maia.

Qual é a cena do capítulo seguinte?

O ministro Marco Aurélio Mello, do STF (Supremo Tribunal Federal), acaba de conceder liminar para afastar Renan Calheiros da presidência do Senado. Pelo roteiro supracitado, haverá insônia em Brasília nas próximas noites, contrastando com o bom humor de quem cumpriu o dever cívico nas ruas.

Já dizia Ulysses Guimarães:

"a única coisa que mete medo em político é o povo nas ruas".

Renan Calheiros não está acostumado a se ver ameaçado. Comemorou a queda de Eduardo Cunha, mas a prepotência típica de quem se nutre em meio à irrevogável ânsia pelo poder o fez se esquecer que o próximo alvo natural seria ele próprio.

Novamente, vale o lembrete: a ânsia pelo poder não se origina da força, e sim da fraqueza, como nos ensinou o sociólogo Erich Fromm.

Ao agora afastado (ainda que momentaneamente) Calheiros, vale o conselho: para todo copo cheio, qualquer balanço vira a água.

Não é possível fazer do jogo político um palco impermeável, porque uma hora todo recipiente transborda; e a hora de Renan Calheiros chegou.

LEIA MAIS:

- Michel Temer vai conseguir o que queria: Unir o Brasil -- contra ele

- Indignação seletiva na Educação: Dilma cortou mais de R$ 11 bi, e ninguém ocupou escola

Também no HuffPost Brasil:

Frases de impacto sobre o impeachment