OPINIÃO

Insatisfação não é golpe

16/03/2015 16:57 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02
HENRIQUE CAMPINHA/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Um domingo histórico. Mais de um milhão de brasileiros foram projetados, via holograma, na Avenida Paulista, pela grande mídia golpista. Outros 24 mil, em Belo Horizonte, se viram forçados a preencher um dos principais pontos turísticos da cidade: a Praça da Liberdade. Já no Rio de Janeiro, cerca de 15 mil cariocas tiveram as suas famílias ameaçadas, caso não aderissem ao arquitetado movimento das elites brasileiras, cujo objetivo se delimita em aplicar o golpe autocrata na democracia nacional.

Claro que é uma piada. E a única a ser feita aqui.

Não foi só o Sudeste que colocou milhares de vozes nas ruas. Em Maceió, segundo a Polícia Militar, 10 mil saíram de casa para pintar a insatisfação no rosto, de verde e amarelo (e não vermelho). Recife, outros 10. Fortaleza, 20 mil. Curitiba, 20 mil. Ribeirão Preto, 30 mil. Brasília, 50 mil. Goiânia, 80 mil. Porto Alegre, 100 mil. E por aí vai.

Cabe, daqui em diante, a reflexão apartidária à sociedade, em especial historiadores, cientistas sociais e jornalistas, sobre o atual cenário de insatisfação generalizada. A luta de classes está descartada; não se trata de rico versus pobre. O Brasil vê um sentimento peculiar e heterogêneo de inquietude nascer nas ruas. O primeiro passo de cada grande movimento é o questionamento - e há de se concordar, demandas não faltam.

Por qual você começaria? Eis a democrática chance de expressar a sua opinião. Insatisfação não é golpe.

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Foto: Rafael Oliveira


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