OPINIÃO

À beira de um ataque de nervos? marque um encontro com a sua criança interior

12/10/2014 17:56 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:04 -02
ASSOCIATED PRESS
Die sechsjaehrige Malin Walter aus Berlin untersucht am Dienstag, 3. April 2007 im Exploratorium Potsdam mit einer Lupe das Innere eines rohen Eies, das zu Anschauungszwecken in einer Plastikschale steckt. Waehrend der Osterferien bietet das wissenschaftliche Mitmach-Museum fuer Kinder Experimente rund ums Ei an. (AP Photo/Sven Kaestner) ---Six year old Malin Walter from Berlin with a glas examines the inner life of a uncooked egg in a plastic skin in the Exploratoruim Museum in Potsdam, Tuesday, April 03, 2007. Around Easter, in Germany linked with eggs, the science center for children offers several experiments with eggs. (AP Photo/Sven Kaestner)

Uma queixa frequente entre as mulheres que procuram um coach é a falta de tempo para se conectarem com elas mesmas. A alta produtividade virou lei e o "me time", que deveria ser sagrado, cedeu lugar a mais trabalho ou, na melhor das hipóteses, a um social de caráter utilitário.

Pequenos contratempos e grandes frustrações mal digeridas se acumulam e muitas de nós seguem ignorando os alertas da alma. Um dia, por nada (ou quase nada), o "pote até aqui de mágoa" transborda. É quando a porção infantil toma a dianteira, de maneira desastrosa.

Quem nunca...

... Caiu no choro em uma reunião importante?

... Comeu, bebeu e gastou como se não houvesse amanhã?

... Transou (de novo) com quem não devia?

Para evitar os surtos de imaturidade, uma boa estratégia é, de tempos em tempos, descer do salto e reencontrar a menina que nos habita.

Essa foi a lição que aprendi, certa vez, passeando pela Rua Normandia. Era época de Natal, a rua estava cheia de gente apreciando a decoração, e um vendedor ambulante, sem dizer nada, provocou em mim um daqueles momentos "seus-problemas-acabaram". Ele estava vendendo varinhas de condão.

Abri a carteira sem pechinchar, para desgosto do meu filho adolescente, que quase mudou de calçada. Ele não podia entender que aquilo não era só um brinquedo. Era a materialização de um sonho de infância. E, ainda melhor que a varinha da fada madrinha da Cinderela, aquela tinha luzes coloridas e vários programas de "piscagem"!

O brinquedo mágico me reportou às vezes em que fiz minha mãe recortar estrelas em papel alumínio para eu colar na ponta da antena do velho rádio de pilha. E lá ia eu, "bibidi-bobidi-bu" pela casa, transformando cadeira em trono, tiara de plástico em coroa de brilhantes, uniforme de balé em vestido de gala, e me ralando na rebarba da antena... Mas quem se importava? A brincadeira só acabava quando a estrela perdia as pontas, de tanto trabalhar.

Trinta anos mais tarde, fui pega tendo que me conter para não acionar meus poderes durante o jantar. E não consegui: brinquei escondido, debaixo da mesa do restaurante.

Aquela volta à infância trouxe a mensagem de que eu precisava. Ela me fez ver que até os sonhos mais bobinhos - pode levar tempo - acabam por acontecer, e de um jeito ainda mais sofisticado. Basta estar atenta às oportunidades que surgem, ambulantes, em meio a passeios despretensiosos pela vida.

Hoje, a minha varinha fica em um canto seguro do quarto. Quando a coisa aperta, aperto um botão e luzes coloridas me ajudam a transmutar emoções borralheiras em atitudes de cristal. Luzes que me lembram de substituir o medo, o pessimismo e a sensação de que não vou dar conta por uma confiança maior em mim mesma e uma fé atávica na humanidade.

Na semana da criança, a minha sugestão é: deixe a menina que você foi ensinar algo à mulher que você se tornou. Pense nos seus brinquedos e brincadeiras favoritos e responda:

1. Que habilidades suas eles demonstram?

2. O que os papéis que você exercia dizem sobre o seu lugar no mundo?

3. Que anseios profundos o seu faz-de-conta revela?

Nesses tempos em que andamos tão poderosas, apoiando-nos em títulos merecidamente conquistados, uma pausa para acolher a nossa criança interna é um modo prazeroso de ativar a intuição e de encarar os desafios com criatividade e leveza.

Que tal levar essa brincadeira para o resto da vida?

P.S.: Assista a um mini-vídeo sobre a importância do brincar na vida adulta.

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