OPINIÃO

GringoView: Doce Rotulagem

A alimentação saudável tornou-se uma tendência chique.

08/11/2017 14:43 -02 | Atualizado 08/11/2017 14:43 -02

Uma parte particularmente agradável das manhãs de sábados deste gringo é a excursão para a feira de rua mais próxima, para comprar maravilhosos produtos agrícolas, exibidos copiosamente em estandes que não estavam lá no dia anterior e desaparecerão misteriosamente e sem deixar qualquer vestígio no próprio sábado à tarde para aparecer em alguma outra rua no domingo de manhã.

Todos os feirantes me conhecem pelo nome desde a primeira visita e me cumprimentam como um velho amigo. Com a faca na mão, eles são rápidos em recomendar suas melhores frutas e vegetais, me cortar um pedaço generoso de abacaxi, um monte de uvas de Vitória, uma laranja da Bahia, palmito pupunha de alguma fonte secreta e até maçãs da Califórnia . É melhor do que qualquer café da manhã.

Peter Rosenwald

Quão diferente dos corredores lotados dos supermercados, onde quase todos os produtos são cuidadosamente exibidos e rotulados, e a única degustação possível provém de marcas de alimentos sendo promovidas por mulheres sorridentes nos corredores.

O contraste me veio à mente recentemente, quando visitei o workshop "Desafios e escolhas alimentares da população brasileira", que coincidiu com a observância do Dia Mundial da Alimentação. Patrocinado pela Associação Brasileira das Industrias da Alimentação (ABIA), tinha o objetivo de promover clareza e consistência na rotulagem de alimentos, denotando um esforço sério da indústria no sentido de aproximar a identificação de alimentos nos supermercados daquela deliciosa fatia de pêssego na feira de rua.

O velho provérbio "Nós somos o que comemos" voltou à moda uma vez que a alimentação saudável tornou-se uma tendência chique. E os fornecedores de alimentos estão respondendo à preocupação popular com a saúde, desde a obesidade até o diabetes, bem como a preocupações estéticas sobre o aspecto dos nossos corpos na praia.

Quanto açúcar, sal, conservantes e outros produtos químicos são usados ​​em alimentos embalados fez inspetores do governo, em muitos países, observarem atentamente, lançando alertas por meio de novas leis. Algumas autoridades sanitárias locais, por exemplo, proibiram nas escolas máquinas de venda automática que dispensam refrigerantes e outros lanches de alto teor de calorias ou petiscos açucarados.

Recentemente, a Business Insider escreveu:

"Um estudo publicado pelo Ministério da Saúde do Brasil mostrou algumas descobertas preocupantes. Olhando para os BRICS, o Brasil tem a terceira maior população (acima de 52,5%) com IMC 25 ou superior, apenas atrás da África do Sul e da Rússia. De forma alarmante, mais da metade da população brasileira está com sobrepeso, em comparação com os 43% em 2006. Essa não é uma boa notícia para uma nação que é uma das maiores produtoras de açúcar do mundo e tem uma indústria de alimentos processados ​​de US $ 31,5 bilhões."

Se o recente workshop é um exemplo, a boa notícia é que a indústria parece firme em querer fazer algo sobre essa tendência alarmante, embora possa custar-lhes algumas vendas. Tradicionalmente, as alegações sobre nutrição e saúde tendem a ser amplamente promocionais e difíceis de interpretar.

O que, por exemplo, significa "baixo teor de calorias"? A nutricionista Márcia Terra, falando durante o workshop, levantou um ponto contundente para o comum 'semáforo' vermelho, amarelo e verde como símbolos no rótulo em todos os alimentos processados, informando de forma clara, rápida e gráfica ao consumidor o número de calorias, o total de açúcar, a gordura saturada e o sal contidos em um copo do produto. As cores indicam se a quantidade do ingrediente está abaixo (verde), próximo (amarelo) ou mais perto do máximo (vermelho) da ingestão diária recomendada.

O movimento em direção a alimentos mais saudáveis ​​e melhor rotulagem é um esforço mundial que assume muitas formas.

De acordo com o "Straits Times" de Cingapura, Kimbal Musk, o irmão rico do bilionário futurista Elon Musk, "quer fazer pela comida o que seu irmão fez pelos carros elétricos e viagens espaciais". Ele quer criar uma rede de empreendimentos comerciais, educacionais e agrícolas suficientes para reverter o sistema alimentício do país de volta a um sistema baseado em alimentos saudáveis ​​e locais cultivados em fazendas e sem químicos. "O alimento é esse lindo presente que nos damos três vezes ao dia", ressalta frequentemente para uma multidão, "mas você não poderia projetar um sistema alimentar pior do que o que temos".

Tudo soa digno, necessário e louvável e, sem dúvida, as mudanças que virão significarão uma vida mais saudável, mesmo quando o planeta sucumbir ao aumento da poluição, ao aquecimento global e a outros desastres ambientais e sociais.

Enquanto isso, mal posso esperar pela feira do próximo sábado, para saborear o sabor fresco das frutas e legumes que vou comprar. Mas é melhor admitir: posso simplesmente sucumbir à tentação, jogar para o alto a minha cautela com a dieta e me entregar a um delicioso pastel de queijo e calabresa na barraquinha da japonesa.

*Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.

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