OPINIÃO

Por que não tenho medo da inteligência artificial

21/05/2015 18:40 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02
AFP via Getty Images
A visitor holds a hand of AILA, or Artificial Intelligence Lightweight Android, during a demonstration at the German Research Center for Artificial Intelligence GmbH (Deutsches Forschungszentrum fuer Kuenstliche Intelligenz GmbH) stand at the 2013 CeBIT technology trade fair on March 5, 2013 in Hanover, Germany. CeBIT will be open March 5-9. AFP PHOTO / CARSTEN KOALL (Photo credit should read CARSTEN KOALL/AFP/Getty Images)

A inteligência artificial é a tecnologia mais importante que estamos desenvolvendo nesta década.

É uma enorme oportunidade para a humanidade, não uma ameaça.

O que é a IA?

Grosso modo, IA é a capacidade de um computador entender sua pergunta, procurar em seus vastos bancos de memória e dar a resposta mais precisa.

IA é a capacidade do computador de processar uma grande quantidade de informações para você, tomar decisões e agir (ou então sugerir uma ação).

Você pode conhecer as primeiras versões da IA, como a Siri, do iPhone, ou o supercomputador Watson, da IBM.

O Watson ganhou as manchetes em 2011 ao vencer o Jeopardy (um programa de conhecimentos gerais da TV americana). Agora ele ajuda médicos a tratar pacientes de câncer, processando enormes quantidades de dados clínicos e fazendo referências cruzadas com milhares de casos individuais e resultados de tratamentos.

A Siri, da Apple, está na palma da sua mão, mostrando caminhos, fazendo recomendações e até piadas.

Mas essas são versões iniciais da IA. O que vem por aí na próxima década vai ser mais parecido com o JARVIS, do Homem de Ferro.

Mas essa tecnologia não vai ser só para Tony Stark.

Por que a IA é uma enorme oportunidade.

A IA vai mudar as regras do jogo.

Hoje, o mecanismo de buscas do Google dá a um adolescente de Mumbai com um smartphone o mesmo acesso à informação de um bilionário de Manhattan.

No futuro, a IA vai permitir que todos tenham o mesmo acesso a serviços como saúde e aconselhamento financeiro.

A IA será seu médico.

A IA será seu assessor financeiro.

A IA será seu professor - e do seu filho.

A IA será seu estilista.

A IA será seu chef.

A IA será seu artista.

E mais...

E ela provavelmente fará tudo isso de graça, ou quase de graça, independentemente de quem você seja ou de onde more.

No fim das contas, a IA vai desmaterializar, desmonetizar e democratizar todos esse serviços, melhorando dramaticamente a qualidade de vida de 8 bilhões de pessoas, nos trazendo para mais perto de um mundo de abundância.

Por que não tenho medo da IA (pelo menos por enquanto)

Primeiro, porque nós (humanos) reagimos de forma exagerada às novas tecnologias. Temer o pior é nossa resposta evolucionária padrão às coisas novas.

Hoje em dia, o medo é promulgado por uma torrente de filmes distópicos de Hollywood e por notícias negativas, que nos deixam com medo do futuro.

Nos anos 1980, quando foram descobertas as enzimas de restrição do DNA, o que tornou possível a engenharia genética, o discurso do medo falava em vírus devastadores criados em laboratório e em formas de vida mutantes.

Mas o que temos hoje são remédios milagrosos e aumentos extraordinários na produção de comida.

Em vez de extensas regulamentações governamentais, um grupo de biólogos, médicos e até mesmo advogados se reuniu na Conferência Asilomar sobre DNA Recombinante para discutir as potenciais ameaças à vida e a regulação da biotecnologia, e também para sugerir diretrizes voluntárias que garantam a segurança da tecnologia de DNA recombinante.

Essas diretrizes permitem que os pesquisadores continuem trabalhando em segurança e continuem inovando. Elas existem há 30 anos.

A clonagem da ovelha Dolly, em 1997, levou a profecias de que em poucos anos teríamos exércitos de supersoldados clonados, pais implantando genes de Einstein em seus filhos e galpões de zumbis tendo seus órgãos extraídos.

Até onde eu saiba, nada disso virou realidade.

Os benefícios são maiores que os riscos.

Dito isso, reconheço que uma IA forte (ante uma IA fraca ou estreita) é diferente - ela talvez seja o desenvolvimento tecnológico mais importante e profundo que a humanidade jamais vai conquistar. (Nota: IA forte significa uma máquina pensante parecida com um humano, ou capaz de pensamentos super-humanos. A IA fraca é algo como a Siri ou a busca do Google).

Como toda tecnologia, do fogo às ferramentas de pedra, há perigos a considerar. Mas, como argumenta Ray Kurzweil, acho que os benefícios são muito maiores que os riscos e perigos.

Como Ray me escreveu num e-mail: "A principal razão pela qual acredito que a IA será benéfica é que ela será descentralizada e amplamente distribuída como é hoje. Ela não está nas mãos de uma pessoa, de poucos ou de uma organização, mas sim nas mãos de mais de 1 bilhão. Ela se tornará ainda mais onipresente à medida que avançarmos para o futuro. Todos vamos ganhar com a IA. O mundo está ficando exponencialmente mais pacífico, como documentado em The Better Angels of Our Nature (os melhores anjos da nossa natureza, em tradução livre), de Steven Pinker".

Uma ferramenta, não uma ameaça

A IA será uma ferramenta incrivelmente poderosa para expandir nossas capacidades e o acesso a recursos.

Kevin Kelly a descreve como uma "oportunidade para elevar e afiar nossa ética, nossa moralidade e nossa ambição".

Ele continua: "Vamos descobrir rapidamente que tentar treinar a IA para que ela seja mais humanística vai nos desafiar a sermos nós mesmos mais humanistas. Assim como filhos podem ser melhores que seus pais, o desafio da criação da IA é uma oportunidade -- não um horror. Nós devemos acolhê-la".

Em resumo, a humanidade acabará colaborando e co-evoluindo com a IA.

Na verdade, no XPRIZE estamos trabalhando na elaboração de um prêmio para a colaboração entre humanos e a IA, junto com nossos amigos da TED.

Quando falamos de todos os problemas que temos na Terra e da necessidade de resolvê-los, é só com essa colaboração IA-humanos que vamos conseguir resolver nossos maiores desafios e verdadeiramente criar um mundo de Abundância

Este artigo foi originalmente publicado pelo The World Post e traduzido do inglês.