OPINIÃO

De Cabral a Cabral

O espírito extrativista, em sua essência egoísta e inconsequente, se alimenta apenas do aqui e agora e da sua própria ganância.

02/02/2017 22:31 -02 | Atualizado 05/02/2017 22:25 -02
Montagem/Wikipédia/Getty Images

Cabral, o Pedro, chegou em 1500 nos estabelecendo como Colônia de Portugal.

A partir daí, o contínuo extrativismo predatório: pau-brasil, cana-de-açúcar, ouro etc.

O propósito da Colônia era prover o reino com o que era dela extraído, sem a menor preocupação com os impactos das atividades de extração, seja sobre as pessoas, o meio ambiente, a economia e o futuro.

Cabral, o Sérgio, preso 516 anos depois, é a prova irrefutável de que a alma extrativista permanece até hoje em nosso DNA. Já foram identificados mais de 100 milhões de dólares "apropriados" por ele, em contas no exterior. Acredita-se que ainda há mais ouro a ser desenterrado.

Fácil imaginar quantos hospitais deixaram de ter equipamentos adquiridos ou simplesmente medicamentos básicos fornecidos, quantas pessoas morreram por falta de atendimento e recursos, porque o dinheiro de impostos, recolhido de todos nós, foi para o bolso de alguns poucos.

Àquele que apenas extrai pouco importa o impacto sobre as pessoas, o meio ambiente, a economia e o futuro. Vale repetir!

O espírito extrativista em sua essência egoísta e inconsequente se alimenta apenas do aqui e agora e da sua própria ganância!

Os jornais nos mostram a quantidade de políticos como o ex-governador do Rio! Extrativistas na sua essência desonesta e corrupta. Mas o grupo não se limita a políticos: executivos responsáveis pelo desastre da barragem em Mariana ou empresários que superfaturaram bilhões em obras públicas e, também, pessoas comuns que no dia a dia usam banheiros públicos sem se preocupar com o próximo a utilizá-lo, ou até o vizinho que leva o carrinho de supermercado até o seu andar e não o devolve ao lugar original.

Espírito extrativista é tirar sem repor, receber sem dar, base da cultura do malandro, da Lei de Gerson, de qualquer relação insustentável, pois de uma via apenas.

Precisamos de consciência, educação e reeducação para cultivar a cultura do plantar antes de colher, do dar e receber, do bem público que é de todos e não, como é aqui percebido, não é de ninguém.

Se cada um de nós estiver atento a essa herança refletida em ações cotidianas, e procurar mudar, teremos a certeza que em 2516 não exista mais um Cabral como o de 2016 e não continuemos colonizadores de nós mesmos.

*Este artigo é de autoria de colaboradores do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o Huffington Post é um espaço que tem como objetivo ampliar vozes e garantir a pluralidade do debate sobre temas importantes para a agenda pública. Se você deseja fazer parte dos blogueiros, entre em contato por meio de editor@huffpostbrasil.com.

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