OPINIÃO

PM de Alckmin bate em grávida e joga bomba em metrô. 2016 já é pior do que 2013

13/01/2016 13:10 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02

A Polícia Militar do estado de São Paulo promoveu um massacre no encontro entre a Consolação e a Avenida Paulista no dia 12 de janeiro de 2016.

Uma mulher grávida de seis meses levou um chute na barriga de um PM, diz uma reportagem do G1, o portal de notícias do grupo Globo, insuspeito de envolvimento com movimentos sociais de esquerda.


Este foi o segundo protesto do ano, já que o primeiro acabou em porrada na frente da prefeitura de Fernando Haddad, que aceitou elevar o preço das tarifas de ônibus e de metrô para R$ 3,80 junto com o governador Geraldo Alckmin, o "dono" da polícia.

Eu tentei ir nos dois protestos para cobrir e não consegui ir, mas acompanhei transmissões ao vivo e as reportagens de diferentes veículos, do Estadão e do G1 até o Centro de Mídia Independente (CMI), Jornalistas Livres e Diário do Centro do Mundo (DCM).

A fonte do G1 foi Luize Tavares, integrante do MPL. Cerca de 20 pessoas foram seriamente feridas com golpes de cassetete, balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo. A PM atacou uma estação de metrô lotada. Para quem não sabe, a conexão Consolação - Paulista é uma das mais sobrecarregadas no horário de pico em São Paulo.

Luize disse à reportagem que outra grávida foi agredida. De acordo com relatos no Twitter, essa outra mulher teria perdido o bebê.

É de se pensar: O que leva um policial a atacar uma mulher desarmada? E grávida?

O jornal Nexo fez uma reportagem primorosa sobre como deveria ser a conduta da polícia baseada em documentos norte-americanos e da ONU. As informações sugerem que os PMs deveriam conversar com manifestantes, usar força proporcional e não reagir a xingamentos.

Afinal, é uma manifestação, não uma ação do crime organizado. E, mesmo que você responda, nada justifica atirar bombas em locais fechados ou bater em grávidas.

Não é nada nem perto do que acontece na rua.

No primeiro protesto, ocorrido no dia 8 de janeiro, uma amiga minha, jornalista, tomou golpes de cassetete ao defender um jovem inocente de ser preso injustamente pela PM. Existe justificativa para tanta truculência. Mulheres - e mulheres grávidas! - merecem apanhar feio por vidraças de bancos ou de ônibus quebradas? O que vale mais?

Vou contar uma historinha pessoal.

Não vivi a ditadura militar. Não tinha idade de gente quando a inflação explodiu com Fernando Collor na presidência. Não vi o impeachment. Lembro vagamente do governo Itamar Franco. Minha infância foi na era Fernando Henrique Cardoso. Fiquei adolescente na época do Lula. E adulto na era Dilma.

É inconcebível na minha cabeça, de quem cresceu na democracia e acredita em formas inteligentes de governo e de governança, ver a PM descer o cacete em amigos meus.

É inconcebível ver alguns jovens e gente mais velha achar que isso é normal, que "vagabundo tem que apanhar mesmo", e que a corrupção do Lula é maior do que qualquer coisa.

É surreal andar na rua e ver gente pregando abertamente o retorno de um regime autoritário por um suposto medo totalmente falso de que o Brasil vire uma Coreia do Norte.

Deixa eu te explicar direito: Se a Dilma quebrar o país, isso aqui vira a Grécia e não a Venezuela, seu animal. Todo mundo que tem um conhecimento mínimo de economia e de política internacional sabe disso.

O Brasil está virando uma morada de pessoas que se recusam a ter educação política minimamente sofisticada. Porque isso "é coisa de esquerdista". E se educar neste meio significa sair do Facebook, ler livros, assistir palestras e discutir de verdade. Parar de acreditar em qualquer tese pirada que chega pelo WhatsApp.

E tem muito PM que usa as redes sociais e acredita nessas asneiras, bem como os reacionários que são analfabetos políticos.

Só depois de se educar é que deveríamos utilizar rede social. Não dá mais pra serum animal autoritário argumentando. Faz mal pra todo mundo.

O Movimento Passe Livre está com novas lideranças jovens, que não estão afim de apanhar. A Polícia Militar dá todos os indícios que pode protagonizar uma tragédia contra cidadãos inocentes.

A PM é o retrato da anormalidade que é o governo Geraldo Alckmin, junto com a corrupção dos metrôs, da Sabesp e de diversos aspectos da gestão pública.

Em São Paulo, as ruas de 2016 caminham para provocar um incêndio pior do que as jornadas de junho de 2013.

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