OPINIÃO

José Dirceu e Eduardo Cunha: por que um está preso e o outro solto?

07/08/2015 16:02 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02
montagem/mauricio lima via gettyimages/pmdbnacion

José Dirceu de Oliveira e Silva tem 69 anos e é mineiro. Foi líder estudantil na ditadura militar, exilou-se em Cuba, ajudou a fundar o PT, e foi ministro-chefe da Casa Civil do primeiro governo Lula. Nas entranhas do poder, teve seu cargo cassado e foi condenado na Ação Penal 470, o chamado mensalão, em 2012 por corrupção ativa e formação de quadrilha.

Eduardo Cosentino da Cunha é um carioca de 56 anos que fez parte da campanha do candidato Fernando Collor em 1989, ao lado de PC Farias. Foi réu no processo que provocou o impeachment do ex-presidente e foi acusado de corrupção na presidência da Telerj. Teve amizade com Anthony Garotinho, conquistou o eleitorado evangélico do Rio de Janeiro e, neste processo, foi acusado por diferentes políticos de praticar lobby empresarial dentro do Congresso, como deputado e presidente da casa. Ele está botando o governo Dilma na berlinda, estourando pontes entre a aliança PT e PMDB, além de jogar com propostas de impeachment da presidente, entre pautas conservadoras contra minorias. Nunca foi condenado judicialmente, embora colecione acusações.

Os dois foram acusados de desviar dinheiro da Petrobras nas investigações Lava Jato através mesmo lobista: Júlio Camargo. Ele é ex-consultor da Toyo Setal, uma das empreiteiras na mira da Polícia Federal.

É ele que, segundo a sua advogada Catta Preta em entrevista ao Jornal Nacional, tinha "medo de chegar no presidente da Câmara".

No dia 16 de julho, Camargo afirmou em sua delação premiada que Cunha supostamente pediu US$ 5 milhões em contratos de navios da Petrobras. Desde aquele dia, pressionado, o presidente da Câmara disparou contra Dilma, o PT e o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que o incluiu na lista de investigação da Lava Jato. São mais de R$ 10 milhões desviados da petroleira nas acusações de Eduardo Cunha.

E Dirceu?

O homem forte de Lula apareceu no depoimento de outro lobista, Milton Pascowitch, que operava propinas de interesse da empreiteira Engevix. Eles teriam feito um pagamento de R$ 1,4 milhão para a JD Assessoria e Consultoria. Os acordos teriam acontecido em 2007, depois do escândalo do mensalão, quando José Dirceu já estava fora do governo.

José Dirceu passou parte de 2013 e de 2014 preso em regime fechado e cumpria o resto de sua pena de mais de 10 anos em casa. O ex-ministro então foi preso preventivamente na operação Pixuleco da Polícia Federal, 17ª fase da Lava Jato, no dia 3 de agosto pela manhã. Foi encarcerado junto com o irmão Luiz Eduardo de Oliveira e Silva e sócios de sua consultoria.

A defesa de Dirceu queria que ele fosse mantido em Brasília, mas ele foi transferido para Curitiba e chegou sob vaias, dividindo cela com contrabandistas.

A prisão ocorreu pelas acusações de Pascowitch envolvendo Júlio Camargo, no montante de R$ 1,4 milhão. Em teoria, o juiz Sérgio Moro deveria apenas intimar Dirceu, já que ele estava cumprindo pena domiciliar e não iria sair do país, alega sua defesa e outros especialistas no Direito.

E Cunha? Não terá prisão preventiva pelo valor de US$ 5 milhões apontados nas delações? Por que José Dirceu foi preso primeiro se o nome dele não constava nem na lista de Janot da procuradoria?

Além destes dois personagens, e Fernando Collor, que já teve a PF apreendendo carros importados na Casa da Dinda dentro da mesma operação Lava Jato?

O encarceramento de Dirceu foi comemorado na mídia opositora ao PT.

Para este segmento, José Dirceu está duplamente condenado e é motivo de piada.

E não há sinal midiático de indignação com o tratamento que (não) é dado à Eduardo Cunha.

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