OPINIÃO

Estudantes desocupam a Escola Fernão Dias e provam que o governo abandonou a educação pública em São Paulo

05/01/2016 14:28 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02
Reprodução/Facebook/ComandodasEscolasEmLuta

Após 55 dias de ocupação, os estudantes da E. E. Fernão Dias, no bairro de Pinheiros, desocuparam a instituição no dia 4 de janeiro de 2016. A mobilização dos secundaristas gerou uma revolução em São Paulo no final do ano passado, com alunos peitando a Polícia Militar do governo Geraldo Alckmin e mantendo mais de 200 instituições abertas contra a proposta de fechamento de 94 escolas.

Foi um protesto que reuniu sim movimentos sociais e associações estudantis, mas que também se formou a partir da espontaneidade de indivíduos que realmente pensam na educação e que não podem pagar quantidades absurdas de dinheiro por aulas.

Acompanhei a movimentação na Fernão através dos relatos de Vivian Ortenzzi Alfinito, que mora ao lado da escola, enquanto o repórter Mauro Donato foi ao local e viu as ocupações de perto. O jornalista do DCM descobriu, em primeira mão, que havia livros e material escolar dos anos de 2012, 2013, 2014, 2015 e 2016 que estavam lacrados e sem uso.

No caso específico da Fernão Dias, os alunos estavam arrumando salas de aula,banheiros e instalações internas. Os estudantes não tinham ciência dos materiais escondidos no colégio, enquanto o governo estadual não fez nenhum tipo de vistoria. A gestão Alckmin e a de seus antecessores abandonaram o ensino público. Este é o legado que o PSDB está deixando para São Paulo no campo da educação.

Já a Tropa de Choque da PM de Alckmin bateu em menores de idade durante as passeatas pelas ocupações. Em uma manifestação na Avenida Nove de Julho, levaram dois estudantes presos sem nenhum sinal de depredação pública.

Mesmo com tanta truculência e má gestão pública ocorrendo sob as asas do tucanato, a revista Veja deu nota 100 para a educação do estado de São Paulo em seu Ranking de Competitividade dos Estados. A mesma publicação deu nota máxima também para a segurança pública do Paraná, o mesmo estado cuja polícia de Beto Richa bateu em professores nos protestos.

Corajosamente, estudantes peitaram a gestão tucana. Mesmo que Alckmin exerça novamente seu autoritarismo sobre a escola pública, diminuindo investimentos e privatizando recursos, a primeira batalha foi ganha.

O governador terá que pensar duas vezes antes de cortar dinheiro para educação, porque isso pode provocar novamente as ruas.

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  • Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
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