OPINIÃO

Como ser (bem) pago pelo seu trabalho

Quatro passos que vão melhorar sua relação com demandas e clientes.

08/06/2017 14:23 -03 | Atualizado 08/06/2017 14:23 -03
eternalcreative via Getty Images
É possível ser pago de forma justa, em dia, sem stress e com uma relação que transforma seu cliente em parceiro.

Todo mundo que trabalha com serviço já tomou algum tipo de calote. Seja você um freelancer ou dono de uma pequena empresa, em algum momento um cliente mentiu, dificultou um pagamento, pagou menos do que deveria ou sequer pagou pelo serviço.

Uma coisa que eu aprendi e repito incessantemente é: ninguém erra sozinho. Nós não somos perfeitos, prometemos muito mais do que podemos cumprir, damos mil desculpas e colocamos tudo na conta de quem nos contrata.

É normal.

Para mudar esse panorama bastante amador, que permeia a comunicação (minha área) por exemplo, basta uma mudança de atitude e sinceridade. Na frente do espelho e na frente do cliente.

O que eu quero, com esse artigo, é fazer você sofrer o mínimo possível para entender o que eu entendi depois de vários erros seguidos. Se você se porta como um amador, o mercado vai te tratar como amador. É puro e simples assim.

Ser pago de forma justa pelo trabalho que você faz, em dia, sem stress e com uma relação que transforma seu cliente em parceiro (e não em um inimigo) não só é possível como bem mais simples de conseguir do que imaginamos.

Aqui vão os passos:

1. Cuide da sua marca online.

Escolha um nome, uma marca e faça um site pessoal. Meu nome é Pedro Américo Henriques e, por muito anos, eu assinava alguns textos como Pedro Turambar e outros com meu nome de batismo. O problema é que o Google não me achava do jeito que eu queria, ou que eu precisava. Como eu já tive meus anos de designer, acabei chegando a uma marca - que é minha nova assinatura.

Um motivo de orgulho é essa marca ter o P e o T ao mesmo tempo que um 19, meu número favorito.

É muito importante ter uma marca legal, um nome e um foco de trabalho, apresentado por meio de um site. Não adianta nada se posicionar como profissional se você não for um.

2. Não aceite clientes ruins. Eles dão prejuízo e te fazem perder tempo.

Clientes ruins atrasam sua vida e não fazem bem para sua carreira. O que são clientes ruins? Fácil, são aqueles que acham que estão contratando um robô que sabe dar vazão à suas ideias também ruins.

Um bom cliente respeita o profissional. Ele não barganha seu preço porque acha que o seu trabalho é fácil ou desimportante. Ele não baseia o trabalho em suas opiniões e gostos pessoais. Parece difícil, mas existem clientes assim.

No momento em que paramos de aceitar qualquer trabalho só pelo dinheiro, o filtro entra em ação.

É difícil. Se a grana estiver curta, é quase impossível. Minha dica é: junte uma graninha com clientes ruins e comece, mesmo que aos poucos, a deixá-los para trás. Trabalhe com quem possa somar ao seu trabalho, não o contrário. Clientes ruins geram trabalhos ruins. E não queremos isso, não é mesmo?

3. Conte a verdade, seja claro, estabeleça limites.

Pare de prometer o que não pode cumprir só para pegar o trabalho. É um erro que eu cometi muito mais vezes do que gostaria de admitir.

Ansioso para conseguir um trabalho e cumprir aquela fantasia de agradar o cliente — como se ele estivesse fazendo um favor, como um Deus benevolente, por te contratar —, eu já prometi que entregava, que conseguia, que tava tudo bem e muitas vezes não conseguia.

Não faça isso, por mais tentador que seja. Clientes ruins também têm contatos de clientes bons, e você pode ficar conhecido como o cara que faz bons trabalhos, mas entrega fora do prazo.

Não é uma boa maneira de ficar conhecido. Fale a verdade para seu cliente sobre sua agenda e sua forma de trabalhar. Nada que você faz vai colocar a vida de alguém em risco, ninguém vai morrer se você precisar de uma semana a mais. Desde que você fale.

Se, por acaso, for um caso de vida ou morte, só aceite se tiver 100% de certeza de que vai entregar.

4. Esqueça o 50% antes e 50% depois.

Quem nunca, não é mesmo? Esse modo de cobrança é arcaico, burro e fadado ao fracasso. Quantos trabalhos você fez neste esquema e nunca viu nem sombra dos 50% depois?

Eu tenho uma fórmula mágica, graças a Paul Jarvis — um cara que você certamente deveria ler.

  • Sorrir e começar - 10%
  • Primeiras ideias, ou rascunhos - 20%
  • Primeira versão final do trabalho - 30%
  • Demais peças e desdobramentos - 30%
  • Arquivos / entrega final - 10%

Sim, você deve cobrar mesmo só pelo briefing. Depois que o trabalho estiver fechado e você explicar esse processo de cobrança, envie um email com tudo que foi combinado e de como será o trampo. Receba o "ok" do cliente e 10% do valor total. E assim por diante. Esse esquema pode ser adaptado para qualquer tipo de serviço.

O melhor? Cada etapa só inicia após o pagamento da etapa anterior. Parece chato e trabalhoso, eu sei. Mas isso evita problemas para você e para o cliente. Se você não entregar, ele não te pagou nem mais nem menos por tudo que você fez até ali. E vice-versa. O formato, que é ao mesmo tempo uma apólice de seguro, torna tudo mais fácil.

Vou dizer logo de cara: perdi alguns trabalhos quando comecei a agir dessa forma. Porém, fiz trabalhos mais interessantes, com pessoas mais interessantes e criativas, recebi um valor que eu considero justo pelo meu trabalho e não tive qualquer problema na minha relação com meus clientes.

Mudar e se posicionar de uma nova forma dá medo. Mas com uma decisão tomada, minha mente se tornou muito mais preparada para ceder, dizer não ou ser irredutível em alguns pontos.

Eu troquei três trabalhos medíocres por mês por um que me ensinaria muito e enenriqueceria minha carreira a cada três meses. Valeu cada momento.

Quando dou dicas em minha newsletter ou em qualquer outro conteúdo que faço, não costumo ser contundente. Mas aqui não hesito um segundo: siga essas dicas e veja sua vida de freela mudar pra sempre.

Se estiver com algum problema ou dúvida para construir sua página, ou posicionar sua marca pessoal, ou mesmo outras formas de cobrar seu cliente, é só mandar um email para pedro@turambar.com.br.

*Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.

LEIA MAIS:

- Você é pago para ir embora?

- Pressão ajuda ou atrapalha?

Frases budistas para inspirar seu trabalho