OPINIÃO

Diane Webber e o fim do sonho de Hugh Hefner para a Playboy

16/10/2015 12:55 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02
Reprodução/Twitter

Foi na mesa de seu escritório, em 1954, que Hugh Hefner viu as fotos de Diane Webber pela primeira vez. A Playboy estava no segundo ano de publicação em Chicago e representava o ápice da revolução sexual nos Estados Unidos.

Aos 21 anos, Diane trabalhava como modelo fotográfica depois de tentar a carreira de dançarina em São Francisco. Filha de uma ex-atriz, a jovem fazia parte de uma geração de californianas que redesenhavam os costumes de todo o país.

Em "A Mulher do Próximo", que faz um perfil da sociedade norte-americana na era da revolução sexual - potencializada pelo lançamento de revistas como Esquire, Modern Man e Playboy -, o jornalista e escritor Gay Talese conta a história de como Hefner idealizou a Playboy: uma publicação que "transformou o erotismo imaginário em realidade."

Quando examinava as fotos de Diane Webber, Hef tinha consciência de que era um "fornecedor de fantasias" para homens tradicionais de classe média-alta que nunca poderiam admitir seus sonhos mais secretos através de mulheres como Diane.

"Antes da Playboy, poucos americanos tinham visto uma fotografia colorida de mulher nua, e os leitores ficavam indefesos e constrangidos ao comprar a revista na banca, dobrando-a para esconder sob a capa ao ir para casa", revelou Talese.

Diane emulava a tudo aquilo que a revolução sexual, como um clássico produto capitalista, poderia representar. No entanto, a mesma lógica do capital foi cruel para a Playboy: a crise precisa aparecer - no caso, a queda nas vendas e na tiragem - periodicamente para que a renovação aconteça. Hoje, a busca de um novo modelo já não consegue se sustentar no erotismo de Diane Webber.

Com a decisão de eliminar os ensaios de mulheres nuas da revista, Hef virou refém do próprio movimento que ajudou a criar. A revolução sexual virou um produto descartável.

Hefner usou a revolução sexual para quebrar estereótipos e, felizmente, estimulou a libertinagem necessária para acabar com um conservadorismo hipócrita e cego. O problema é que, na era das nudes, a naturalidade e a sensualidade de mulheres como Diane Webber parece não chamar a atenção.

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